Cowboy in the Sand

discosJanuary 12, 2007 2:44 am

R.E.M - Monster (1994) 

 

 Nas listas dos melhores discos do REM sempre entram "Murmur", "Document", "Out of Time" e "Automatic for the People". Eu completo essa lista com "Monster", de 1994. O REM surpreendeu bastante gente no início da década de 90. "Out of time" era recheado de hits, feliz, contundente e irônico. Já "Automatic…", na minha opinião a obra-prima da banda, era denso, triste, melódico e beirava a perfeição.

 

Em "Monster", o REM buscou o experimentalismo. Cheio de pedais, efeitos e dissonâncias, Monster é o disco da cozinha do REM. Enquanto Michael Stipe chefiava a trupe, ele decidiu ceder espaço para Peter Buck, Bill Berry e Mike Mills. Resultado: um disco de banda, quase um álbum de garagem, chocando quem esperava um Automatic II. 

 

"Monster" parece que foi concebido em poucos dias, como uma banda iniciante. E aí está o mérito do REM. Desprezou os milhões dos discos anteriores e simplesmente criou uma passagem absolutamente fenomenal na carreira. Hits? Ele tem! Ou você consegue resistir a "What’s The Frequency, Kenneth?", "Star 69" ou "Bang and Blame"? Ou até mesmo "Crush with eyeliner".  Ou então "Strange Currencies", uma das minhas cinco músicas preferidas do REM, que remete um pouco ao disco anterior e ao posterior, "New Adventures in Hi-Fi". Esta faixa, por sinal, destoa do resto, uma balada inconfundível, triste e extremamente bem feita.

 

"Monster" é tão rápido, na audição e na carreira da banda, que menos de um ano depois, eles lançaram outro disco. Fez pouco sucesso e os fãs acusavam de ser uma obra difícil, talvez acostumado com a super banda que o REM era, condição merecidamente conquistada com músicas inesquecíveis, como "Losing My Religion", "It’s the end of the world…", "Fall On Me", "The One I Love", "Shinny Happy People" (na minha opinião um saco e acertadamente deixada fora da coletânea de melhores dos anos 90 que eles lançaram há pouco), "Drive", "Everybody Hurts" (a melhor da banda), "Man on the Moon", "Immitation of Life" e por aí vai.

 

De Monster, muita coisa boa se aproveita. Mas o melhor mesmo foi essa urgência de uma banda estourada em experimentar. Poucos compreenderam, mas os que o fizeram, entendem do que eu estou falando. Coisa que só gente madura consegue fazer: um disco que a banda quis fazer, do jeito deles, da maneira deles e acreditando nas próprias idéias. Perto dos outros, "Monster" foi um fracasso de público. Mas era o REM e nem com um disco difícil sua trajetória foi comprometida. Isso se chama credibilidade. E isso é pra poucos.

discos 2:22 am

Hole - Celebrity Skin (1998)

 

Quem é fã de Hole sempre escolhe "Live Through This" (1994) como o melhor disco da banda. Ou então, os mais radicais elegem "Pretty on the inside" (1992) como o preferido. Particularmente, o álbum que eu mais gosto do Hole é "Celebrity Skin", de 1998.

 

Dizem que o Billy Corgan, que namorava a Courtney Love na época, escreveu todas as músicas. Sendo o líder do Smashing Pumpkins o mentor ou não, "Celebrity Skin" trouxe o Hole repaginado. Em todos os sentidos. Courtney estava mais bonita, mais alegre, menos junkie, menos riot e mais inspirada. Revela a cantora Courtney Love, dona de um timbre espetacular e se mostrando uma intérprete pop do primeiro nível.

 

Arranca com a faixa título, um petardo que aborda o tema que ela queria na época. Ela não era mais a viúva do Kurt Cobain, nem aquela boneca drogada do início de carreira (aparentemente). Na seqüência, emprestava a voz para canções pop belíssimas, como "Awful", "Malibu" e "Boys on the Radio", quase uma Sheryl Crow dos bons tempos.

 

Mais clean do que o punk-grunge-dyke do início de carreira, o pop era a saída perfeita para o Hole. Nunca a banda soou tão coesa, tão certinha e tão audível. E ela cantava sobre amor, no sentido mais puro e chiclete que o pop permite e ainda nos encanta no dia de hoje.

 

Na época, lembro que os fãs torceram o nariz pra "Celebrity Skin". Bobagem. Às vezes a maior ousadia é realmente optar pelo mais simples. Ou então a verdadeira revolução é descobrir que a rebeldia tem prazo de validade e que a real vocação pode ser cantar sobre amor, fazer melodias fáceis e agir livremente sem medo de se tornar piegas. No caso do Hole, eles acertaram em cheio. A doçura também é um mérito pra quem sabe fazer. Pena que durou um disco apenas.