Hole - Celebrity Skin (1998)
Quem é fã de Hole sempre escolhe "Live Through This" (1994) como o melhor disco da banda. Ou então, os mais radicais elegem "Pretty on the inside" (1992) como o preferido. Particularmente, o álbum que eu mais gosto do Hole é "Celebrity Skin", de 1998.
Dizem que o Billy Corgan, que namorava a Courtney Love na época, escreveu todas as músicas. Sendo o líder do Smashing Pumpkins o mentor ou não, "Celebrity Skin" trouxe o Hole repaginado. Em todos os sentidos. Courtney estava mais bonita, mais alegre, menos junkie, menos riot e mais inspirada. Revela a cantora Courtney Love, dona de um timbre espetacular e se mostrando uma intérprete pop do primeiro nível.
Arranca com a faixa título, um petardo que aborda o tema que ela queria na época. Ela não era mais a viúva do Kurt Cobain, nem aquela boneca drogada do início de carreira (aparentemente). Na seqüência, emprestava a voz para canções pop belíssimas, como "Awful", "Malibu" e "Boys on the Radio", quase uma Sheryl Crow dos bons tempos.
Mais clean do que o punk-grunge-dyke do início de carreira, o pop era a saída perfeita para o Hole. Nunca a banda soou tão coesa, tão certinha e tão audível. E ela cantava sobre amor, no sentido mais puro e chiclete que o pop permite e ainda nos encanta no dia de hoje.
Na época, lembro que os fãs torceram o nariz pra "Celebrity Skin". Bobagem. Às vezes a maior ousadia é realmente optar pelo mais simples. Ou então a verdadeira revolução é descobrir que a rebeldia tem prazo de validade e que a real vocação pode ser cantar sobre amor, fazer melodias fáceis e agir livremente sem medo de se tornar piegas. No caso do Hole, eles acertaram em cheio. A doçura também é um mérito pra quem sabe fazer. Pena que durou um disco apenas.
