Cowboy in the Sand

discos, eu + músicaFebruary 28, 2007 5:32 pm

Parem tudo, porque aqui está o Faith No More. Em 28 anos de vida, nenhuma banda me influenciou tanto quanto o FNM. Já falei da história do show de 1991, mas nunca contei-vos a respeito deste disco espetacular, lançado ainda em 1989.

Pela primeira vez, Mike Patton assumia os vocais da banda. E que vocais, pelo amor de deus. O melhor cantor da minha geração ia do funk ao death metal, da balada ao pop com uma facilidade impressinonante de circular por estes ritmos. Um mestre de cerimônias à altura de uma das bandas mais importantes da história. E aí, o casamento perfeito para colocar APENAS "Epic", "Falling to Pieces" e "From Out of Nowhere". Só isso, só isso. O suficiente para fechar a indústria musical e causar colapso criativo em qualquer pessoa que ainda se aventurasse pelo rock and roll. Uma sucessão de coisas bem feitas no melhor registro da banda em todos os tempos e um dos meus discos preferidos na música.

O disco que mudou a minha vida. A partir de "The Real Thing", eu comecei a perceber que tinha uma infinidade de coisas na música que eu não conhecia e decidi desbravar esse mundo pelo qual estou perdido até hoje, sem nenhuma vontade de desistir. E cada vez mais apaixonado. 

discos, eu + música 5:25 pm

Como já resenhei Doolittle um tempo atrás, vou escrever sobre Surfer Rosa, o disco do Pixies que tem Where’s My Mind. Ou melhor, não. O disco do Pixies que tem Bone Machine, Broken Face, Gigantiv, River Euphrates, Cactus…

Surfer Rosa foi feito em 1988 quando o Pixies ainda era completamente inexpressivo no cenário norte-americano. Não existia a cultura do rock INDIE, apenas de rock alternativo, um rótulo designado para bandas que faziam um som pouco convencional e que ficavam um pouco alheias a qualquer tipo de segmentação. Chamaram então de alternative rock, e eu nem sei se eles gostavam.

Tal como os co-irmãos do Husker Du, o Pixies se valeu disso pra produzir a mais impecável seleção sonora do final da década. Com a dupla Surfer Rosa-Doolittle, dá pra apontar uns dez hits excepcionais. 

Ah, e qualquer banda "ALTERNATIVA" dos anos 90 toma o Pixies como banda de cabeceira para aprender algumas lições. E certamente Surfer Rosa, o disco de 88 do Pixies (ainda que inferior a Doolittle) entra na aula.  

discos, eu + música 5:20 pm

Escrevi há um tempo que nada para a minha geração se comparou ao Guns N’Roses. E dentro do Guns N’Roses nada se compara a este disco.

Ele começa introduzindo o objetivo da banda, em Welcome to the Jungle. Inserido na selva, solta a porrada It’s So Easy. Espera um pouco e chega Mr.Brownstone (quase uma apologia à heroína). A batida seca indica Paradise City, e aí já é impossível discernir qualquer tipo de situação. A seqüência só prepara os ouvidos para uma música que jamais será igualada por qualquer banda de rock, chamada Sweet Child O’Mine. Com um dos maiores riffs de todos os tempos, a música… bem, você já sabe ela de cor, provavelmente.

E depois, fecha com Rocket Queen, pra implodir aquela frescura que tava o hard rock na época (que nada mais era do que o hip hop de hoje em dia: mulheres, praias, motos, aventuras, drogas e machismo). Só que o Guns fez tudo o que os outros faziam e mais: faziam canções de verdade.

Sem contar que a banda é o carisma em pessoa, principalmente com Axl e Slash. Pra mim, um baque. Pro mundo, um baque. A maior banda da minha geração. Só fui tomar conhecimento dois anos depois, mas não importa. Para sempre, "Apetite for Destruction" será um dos maiores discos da minha vida. Entre os cinco mais inesquecíveis, com certeza. 

discos, eu + música 5:15 pm

Antes de Cabeça Dinossauro, os Titãs eram a banda esquisita que tocava no Chacrinha. Acho que eles não queriam ficar conhecidos sob este estigma quando resolveram conceber este disco produzido por Liminha.

Munidos de uma grande raiva e uma criatividade estupenda, Cabeça Dinossauro foi feito em cima de muita violência e precisão. E fizeram desta arma, às vezes perigosa, uma série de hits que você canta até hoje: Polícia, Homem Primata, Bichos Escrotos, AAUU, Família, Igreja, Porrada, O quê?. Todas tocaram nas rádios e a maioria você sabe o refrão.

Numa época em que a censura ainda existia, o Brasil vivia cheio de esperança. Com a posse do primeiro presidente civil desde nos anos 60 (antes, Tancredo; depois, Sarney), Cabeça Dinossauro (junto com "Nós Vamos Invadir Sua Praia", do Ultraje a Rigor) foi a trilha perfeita pra esta década cheia de sonhos e com muita raiva. Os oito (Miklos, Nando, Fromer, Bellotto, Arnaldo, Brito, Branco, Gavin) nunca foram tão bons. É o resultado de um produto artístico quando se faz isso com sentimento, angústia, esperança e fúria.

discos, eu + música 5:02 pm

Eu poderia colocar "Psychocandy", de Jesus and Mary Chain, como o grande álbum de 1985. Afinal, a obra prima feita pelos escoceses está em qualquer lista que se preze de grandes discos de todos os tempos. De fato, é fantástico. Mas admito que para a minha formação musical, Bob Mould é um dos pilares.

Bob Mould é o cabeça do Hüsker Dü, banda de Minneapolis que durou apenas quatro anos na metade dos anos 80. Nenhuma das bandas dos anos 80 conseguiu traduzir tão bem a influência do punk pop como o Husker Du.

Primeira banda de pop-hardcore do mundo, este disco é uma compilação de canções rápidas, barulhentas e melódicas. Trilha perfeita para skatistas oldskool, New Day Rising é aquilo o que muitas bandas tentam ser até hoje. E não conseguiram.

Talvez porque Bob Mould seja um cara simples. De canções simples, instrumentação simples, vocal simples e ainda por cima carisma. E de quebra, influenciou uma patada de bandas que surgiram ao mesmo tempo, junto com o REM. 

Se você ouve Goo Goo Dolls, Soul Asylum e Offspring, acreditem: elas beberam na fonte do Husker Du o tempo todo. Eu prefiro o original, este álbum ótimo que eu só conheci dez anos depois. E que, juro, pensei que fosse lançamento. 

discos, eu + música 4:54 pm

Pra mim, o disco que redefiniu os conceitos do metal foi este. "Ride the Lightning" foi lançado pouco tempo após a estréia do Metallica, "Kill Em All" (1983). Pela primeira vez, uma balada foi colocada em um disco do que se chamava na época de thrash metal. E que balada! "Fade to Black" é tudo o que o Metallica construiu depois. O embrião de um formato épico, de músicas arrastadas e raivosas com sete minutos de duração. Com melodias belíssimas e encadeadas por solos e dedilhados de chorar.

"Fade to Black", minha música preferida da banda, é só um detalhe nesse disco inacreditável. Com apenas oito faixas, arranca com a trilha sonora perfeita para qualquer tipo de barbárie: Fight Fire with Fire, rápida e consistente. For Whom the Bell Tolls é o que pode se chamar de metal pefeito. Talvez seja a composição mais efetiva do Metallica. E finaliza com mais petardo: Creeping Death e The Call of Ktulu.

Um ano depois, veio Master of Puppets, igualmente perfeito. Tudo para consolidar as bases que iriam fazer do Black Album (1991) o disco mais importante do metal em todos os tempos. Mas, claro, tudo começou ali, com Ride the Lightning. Uma banda que já era madura no segundo disco. E cá pra nós, isso não é pra qualquer um.

discos, eu + música 4:46 pm

 A maior canção pop dos anos 80 é, na minha opinião, "Every Breath You Take". Não é a minha preferida do Police. Dividiria este rótulo com "Every Little Thing She does is magic" e "Message in a Bottle". Mas inegavelmente, ninguém consegue resistir a "Every Breath You Take". Simples, curta, rasteira e com uma letra fácil de aprender até por quem não sabe inglês bem, esta música é o embalo dos anos 80. E está nesse disco, de 1983.

Por que diabos The Police está numa lista minha? Afinal, quem me conhece, sabe que eu nunca fui muito com a cara do Sting. Talvez porque eu tivesse pego o Sting chato, aquele do índio Raoni, cheio de causa social e muito pouco preocupado com as questões musicais, e é isso que mais me interessa. Mudei. Police é uma das descobertas mais fantásticas nesse eterno mundo de descobertas musicais. Se eu conheci depois, por exemplo, do Millencolin, é mero detalhe. O fato é que este disco, Synchronicity, é um álbum que merece estar na minha lista de discos que fizeram a minha vida. E eu o elejo para este ano de 1983, para representar o que de melhor o pop produziu na época.

E como cada vez mais a divisão é afunilada, sendo basicamente hoje fatiada entre pop e erudito, que se coloque o Police como representante digno, de um pop perfeito, de uma banda com músicos excepcionais e que influenciaram meio mundo.

Ah, o disco foi o último da banda e de quebra ainda tem "King of Pain". E aí, convenci? 

discos, eu + música 4:35 pm

Respostas óbvias para pergunta óbvia. Qual a melhor banda dos anos 80? Smiths. The Cure. Echo and the Bunnymen. B52’s. Rock farofa. Eu respondo Violent Femmes.

Muito disso se deve a este disco de estréia absolutamente fabuloso. A abertura já é inacreditável. Um baixo reto, em 1982, com uma bateria acústica e uma viola, tudo no mais puro foxtrot, anunciam Blister In the Sun, o maior hit da banda, uma faixa dançante, com melodia fácil e um arranjo puxado do fundo do celeiro. Aliás, isso é o Violent Femmes: uma banda de celeiro no meio dos anos 80, rejeitando o rótulo de country, afinal, era melhor que os fazendeiros os fossem.

Junta isso com um pulsante rockabilly quase ingênuo, influências de folk e blues e uma versatilidade punk que nenhuma banda dos anos 1980 tiveram.

O que vem na seqüência é a urgência deste gênio que ninguém conhece chamado Gordon Gano, que introduz toda sua psicodelia musical em músicas ótimas como Add It Up, Confessions e Gone Daddy Gone.

A minha faixa preferida dos VF, "I Held Her in my Arms", só veio anos depois. Mas este disco é um marco para a música alternativa dos anos 80. Não precisava mais ser choroso, passar laquê no cabelo, ter pose de rebelde ou ser colorido demais. Bastava gostar de rock e saber tocar um pouco pra que a gente toque algo autêntico.  

discos, eu + música 4:04 pm

Particularmente, me sinto muito a vontade para escrever sobre Ramones. Se eu pegasse uma das dez bandas que eu mais conheço no mundo, aí estão os caras. No início dos anos 80, prevendo uma influência da new wave e do pop pós punk, a banda passou a flertar com coisas mais pop (London Calling, lembram? influência?), que já vinham ensaiadas desde Road to Ruin (1978), com "Needles and Pins".  Passaram pelo curioso End of the Century, na produção de Phil Spector, na epopéica "Baby I Love You" até chegarem a "Pleasant Dreams" (1981).

O disco não está entre os melhores da banda. Mas foi fundamental para definir conceitos que viriam a partir dos anos 80. E principalmente foi um disco de resgate, o que mais se aproxima da retomada ramônica, com o triunvirato Brain Drain (1988), Loco Live (1991) e Mondo Bizarro (1992).

Na minha formação, nenhum disco do Ramones foi mais importante do que Mondo Bizarro. "Poison Heart", "Strenght to Endore", "Touring" e mais um punhado de canções históricas fizeram deste o meu ponto de partida pra entender a banda. 

No entanto, Mondo Bizarro só foi possível graças a Pleasant Dreams. Aquele disco em que o Ramones queria ser menos punk, mais pop, ainda que com alguma coisa de torto, produziu duas pérolas, ao menos: "The KKK Took My Baby Away" e a subestimada "7-11", que seria hit de qualquer banda de punk pop dos anos 90.

Por isso, o ano de 81 vai para Ramones. Não pelo melhor disco deles, mas pelo disco mais significatico para as obras que eles produziram na época em que eu os adotei como lema.  

discos, eu + música 6:33 am

O AC/DC era a banda do vocalista Bon Scott e do guitarrista Angus Young. Bon Scott tomou um tragão no final dos anos 80, afogou-se no próprio vômito e morreu. Coube ao AC/DC apostar as fichas no CAMINHONEIRO Brian Johnson, um cara de voz esganiçada, canto rouco e irritante e um visual duvidosíssimo para quem gostava do som da banda.

Afinal, o AC/DC era uma banda de rock and roll puro e sem frescuras. Que se pegasse um vocalista assim: camisa regata, jeans surrado grudado no corpo e boina cafajeste. Feio pra cacete, com um carisma ainda desconhecido e com um apelo que seria quase um tiro pela culatra.

Resultado: o melhor disco da banda. "Back In Black" supera até o clássico "Highway to Hell". Com uma seqüência de tirar qualquer fôlego, este álbum do AC/DC tem só "Back In Black", "You Shook Me all night long" e "Hell’s Bells", pra não falar de outras pérolas encontradas ao longo do tributo ao vocalista antigo.

A banda voltou em preto, e mais afiada do que nunca. Com as composições dos irmãos Young sendo um carro chefe para uma pancadaria rock and roll jamais vista em um quase álbum de estréia, o AC/DC consolidou uma base que não tinham antes: de super banda. Com Back In Black, virou banda de culto.

Amém para este álbum, saravá para Angus Young, que entrou para a galeria de grandes guitarristas e que surpreendentente levou a banda a um status pop que jamais iria se repetir.