Cowboy in the Sand

discosFebruary 8, 2007 5:29 pm

Elis Regina e Antonio Carlos Jobim - Elis & Tom (1974)

Falar de MPB é algo que me agrada muito. Incrivelmente, não é um assunto no qual eu transito com facilidade. É uma novidade eterna pra mim toda a diversidade da música brasileira. Essa multiplicidade de gêneros e aspectos só é comparável ao futebol. A fonte inesgotável também chega à música, reforçando a imagem de que, pra mim, o Brasil é o melhor país do mundo, disparado.

O disco Elis & Tom, de 1974, já foi resenhado umas trocentas vezes. Ouvi todo pela primeira vez em 2005, numa descoberta tardia da MPB. Volta e meia, alguma obra me traz encantamento sublime, mas até hoje nenhum disco brasileiro causou tanto transtorno em mim quanto este.

A obra-prima junta, simplesmente, o maior compositor brasileiro de todos os tempos com a maior cantora do Brasil em todos os tempos. E a performance abre com a maior música brasileira de todos os tempos, Águas de Março. Logo, eu não titubearia em dizer que este é o maior disco já feito no Brasil, reconhecendo que Chega de Saudade (João Gilberto, 1958), Tropicália ou Panis At Circensis (vários, 1968),  Transa (Caetano Veloso, 1972) e até coisas mais recentes como Nós Vamos Invadir Sua Praia (Ultraje a Rigor, 1985) e Da Lama ao Caos (Chico Science & Nação Zumbi, 1994) tenham maior relevância histórica, pelo desbravamento, pelo caráter revolucionário.

Elis & Tom é a junção de dois gênios que estavam no auge da inspiração. Nunca Elis esteve tão criativa (talvez em Falso Brilhante, dois anos depois). E Tom Jobim é um daquelas figuras que dá orgulho em ser brasileiro. Certamente é um dos dez maiores artistas mundiais, numa lista bem seleta que contaria com Beatles, Frank Sinatra, Ray Charles e Prince (o maior gênio pop de todos os tempos).

O resultado é uma deliciosa viagem ao longo de quinze faixas sofisticadas, requintadas e belíssimas. Um repertório apurado merecedor da altura destas duas figuras que fazem muita falta na nossa música.

Ouvi gente comparando a Maria Rita com a Elis. Olha, faça o favor de escutar este disco e aí depois a gente conversa, tá?  

listas, velharia, eu + música 7:17 am

Aproveitando o post no outro blog, aí vão dez músicas lentas que funcionam direitinho em 1992.

Obs: eu falo 1992 no presente o tempo todo por escolha.

1- Spending My Time - Roxette 

 2- Patience  - Guns N’Roses

3- More Than Words - Extreme 

4- I Remember You - Skid Row 

5 - The Unforgiven - Metallica

6- Bed of Roses - Bon Jovi

7- Wind of Change - Scorpions

8- Wasting Love - Iron Maiden

9- Black - Pearl Jam

10-  Miles Away - Winger

faixas 6:28 am

Guns N’Roses - November Rain

 

Antes de entrar no assunto November Rain, vou falar sobre os Beatles. A minha geração (nascidos entre 1976 e 1981) conheceu os Beatles por duas formas: influência familiar ou pela Sessão da Tarde. Isso porque ali no final dos anos 80 o filme Febre da Juventude (I Wanna Hold Your Hand) passava muito e a trama abordava quatro fãs dos Beatles que fizeram uma peregrinação para assistir aos Beatles no Ed Sullivan (histórica primeira apresentação deles nos EUA). Eu gostava da gordinha na época. Ou da feminista, não lembro. Mas isso nem vem ao caso.

O fato é que no final dos anos 80/início dos 90 houve algo parecido com o Guns N’Roses (e eu guardo todas as devidas proporções). Portanto, a gente entende o que é idolatria mesmo, quando eu via meus amigos imitando o Slash, balançando microfone de um lado para o outro como o Axl, ou fazendo qualquer dos trejeitos dele.

Guns era fenômeno. Que a banda é espetacular, é unânime (quem diz que não gosta está simplesmente mentindo ou não entende nada de música). Agora, que é fenômeno, pode soar um pouco estranho para ouvidos mais jovens (e a referência mais "oldskool" dessa gurizada é Nirvana, por incrível que pareça). Na época, quem ouvia rock conhecia, por exemplo, Led Zeppelin, pelo Guns. E este fenômeno me atingiu em cheio. Eu ouvi Sweet Child O’Mine em 1989, depois Patience, no mesmo ano, e depois comprei o EP Lies, com Patience, You’re Crazy, I Used to Love Her e One in a Million. Em fita. Nada se comparou ao estrago que o GNR fez em mim. Um dia eu conto detalhadamente minha história musical , que começa com a versão de "Astronauta de Mármore", do Nenhum de Nós, que é uma obra, e isso um dia eu vou explicar, passa pelo "Quatro Estações", de Legião Urbana, pelo GNR, claro, depois pelo Faith No More, pelo Nirvana, pelo Pixies, pelo Smashing Pumpkins e por um aprofundamento geral que me permite hoje dizer que a maior banda de todos os tempos é Led Zeppelin (assunto pra outro post) e meu ídolo máximo é Neil Young (e só passou a ser meu ídolo quando completei 18 anos). E que me dá a segurança em dizer que a última descoberta REAL e GENIAL na música é Jeff Buckley (póstuma, admito), apesar de que se a Regina Spektor lançar mais um disco genial, eu abraço ela e vou até o fim.

Voltando ao assunto, depois de mil desvios, o que aconteceu comigo com o Guns N’Roses me faz entender um pouco da Beatlemania e das adorações posteriores por boys e girls bands. Eu era simplesmente enlouquecido por toda a banda. Por um ano e pouco, é verdade .Essa idolatria durou até o lançamento do projeto Use Your Illusion, no início de 1991.

Nunca aguardei tanto um disco quando os dois Use Your Illusion. Na época, eu já tinha recebido o "baque" do Faith No More no Rock In Rio 2. Mesmo que eu estivesse aceso por novidades, era impossível perder os dois discos (em vinil, DUPLOS) do GNR. Foi meu presente antecipado de tudo.

Na era pré-massificação de Shopping, o lugar chique da cidade (ou na Zona Norte) era o Zaffari Higienópolis. Fui com a minha mãe e comprei os dois vinis: Use Your Illusion I e II. Eu passei uma semana em casa ouvindo faixa a faixa (ainda sei todas de cor, talvez). Na época, bati em "Estranged" (uma balada ainda enigmática até hoje, com extensos 8 minutos, uma pretensão épica exagerada do Axl), em "Civil War" (ainda belíssima), em "So Fine" (ótima melodia) e em "November Rain". Esta última, a mais intrigante de todas.

Um dos maiores hits do GNR, November Rain ainda me causa alguns arrepios até hoje. Superprodução, orquestrada, com uma melodia impossível de resistir. É como se ela me tomasse sempre que eu ouço ela. Na hora, uma vontade de me encostar em quem eu gosto, abraçar forte, beijar e fugir pra longe, com uma vontade de viver pra sempre. Ou então, como ficar distante de um videoclipe fortíssimo, como aquele do casamento. Talvez isso só aconteça comigo mesmo, já que eu sou um idiota que ouviu esta música umas 200 vezes e sempre imaginou que acontecesse aquilo no dia do próprio casamento. Ou quem sabe para uma geração inteira.

O fato é que November Rain é uma das minhas músicas eternas. Ela já tem 16 anos e eu nunca consigo enjoar. Sei toda a letra, todas as viradas, toco ela inteira, todos os solos, as partes do clipe, absolutamente tudo. E ainda tenho aquela sensação de prazer instantâneo quando ouço esta canção.

Acho que a minha geração entende este sentimento. Se eu fosse escolher as maiores baladas de todos os tempos, November Rain estaria na lista. Com sobras. É um gosto bem pessoal, eu sei. Ah, e se quiserem um ápice, verão um sorriso meu sempre quando ele fala "when there’s no one left to blééieme…".