Particularmente, me sinto muito a vontade para escrever sobre Ramones. Se eu pegasse uma das dez bandas que eu mais conheço no mundo, aí estão os caras. No início dos anos 80, prevendo uma influência da new wave e do pop pós punk, a banda passou a flertar com coisas mais pop (London Calling, lembram? influência?), que já vinham ensaiadas desde Road to Ruin (1978), com "Needles and Pins".  Passaram pelo curioso End of the Century, na produção de Phil Spector, na epopéica "Baby I Love You" até chegarem a "Pleasant Dreams" (1981).

O disco não está entre os melhores da banda. Mas foi fundamental para definir conceitos que viriam a partir dos anos 80. E principalmente foi um disco de resgate, o que mais se aproxima da retomada ramônica, com o triunvirato Brain Drain (1988), Loco Live (1991) e Mondo Bizarro (1992).

Na minha formação, nenhum disco do Ramones foi mais importante do que Mondo Bizarro. "Poison Heart", "Strenght to Endore", "Touring" e mais um punhado de canções históricas fizeram deste o meu ponto de partida pra entender a banda. 

No entanto, Mondo Bizarro só foi possível graças a Pleasant Dreams. Aquele disco em que o Ramones queria ser menos punk, mais pop, ainda que com alguma coisa de torto, produziu duas pérolas, ao menos: "The KKK Took My Baby Away" e a subestimada "7-11", que seria hit de qualquer banda de punk pop dos anos 90.

Por isso, o ano de 81 vai para Ramones. Não pelo melhor disco deles, mas pelo disco mais significatico para as obras que eles produziram na época em que eu os adotei como lema.