Os anos 2000 começaram estranhos pra música. O new metal tomava de assalto a parada, colocando uma pulga atrás da orelha de quem achava um pouco oportunista a postura de bandas como Limp Bizkit, Linkin Park e Korn (entre eles, eu). Já as boy bands comandavam o tuto. E as menininhas Britney, J-Lo e Christina estavam em alta. Como eu não tinha mais 13 anos e tenho uma cópia do Vulgar Display of Power do Pantera, qualquer uma destas opções deveriam ser rejeitadas.

No entanto, meus olhos se abriram para um branquelo que cantava rap com uma segurança invejável. E tinha tudo o que os gangstas pediam: era desbocado, falava em mulher e cagava e andava para o que pensassem sobre sua música. Eminem lançou seu segundo disco e entrou para a galeria dos grandes gênios da música atual.

Claro que muitos o consideram um picareta, um imbecil. Eu acho particularmente um gênio. O rap precisa disso mesmo. Gente que não tenha o menor pudor em fazer merda. O Eminem chineleia Christina Aguillera, Fred Durnst, a MTV, os colegas. E com melodias impagáveis.

De quebra, realizou Stan. Lembra quando eu falei em opera rock? A música séria de "MM LP" é Stan, uma tragédia de seis minutos com a base de "Thank You", da Dido, alfinetando fãs e colocando com sinceridade que tudo o que ele faz é tirar onda.

Duvida que ele é gênio? Alguém que bate e pede desculpas no mesmo disco, alguém que fala tudo que quer e depois admite que é só pra zoar com os outros só pode ser isso mesmo.