Cowboy in the Sand

discos, eu + músicaMarch 4, 2007 5:17 am

Em 1994, eu ouvi Dookie sem parar. Um dos discos mais legais da época, principalmente quando se é adolescente. Demorou dez anos para o Green Day lançar sua obra-prima.

Apesar das pinturas e do figurino exagerado, o Green Day acertou em cheio ao fazer este disco. Funciona como uma opera-rock, com as músicas encadeadas entre si, com uma crítica a este vazio cultural norte-americano da era Bush.

Panfletário, American Idiot reúne as duas mais belas canções da banda: "Boulevard of Broken Dreams" (a melhor) e "Wake me Up When September Ends". 

Para uma banda que teve um debut excepcional no início da década, é uma honra poder assistir ao amadurecimento desta banda que eu vi nascer, crescer e chegar ao seu ápice.

Só espero que eles não fiquem só na bandeira e se esqueçam de fazer boas músicas, como em todo o American Idiot. Já lançaram uma com o U2 e esse papo de politicagem ostensiva me enche um pouco. Tudo bem, eles já tem crédito comigo após este belíssimo álbum. Tanto que ganharam o ano de 2004. 

discos, eu + música 5:07 am

O Outkast é uma banda em que os dois integrantes não gravam juntos. Estranho? Prefiro dizer genial.

A melhor banda de rap da atualidade lançou este disco duplo em 2003. Um CD é de Andre 3000, o outro é de Antwan Patton. Dois discos solo de dois rappers, cada um com sua identidade.

Apesar de toda criatividade colocada nesta obra, ele está aqui por um motivo, basicamente. E ele se chama "Hey Ya!". Esta é a melhor música da década. Pertencente a The Love Below, o disco de Andre 3000, é uma pérola pop igualada a poucas coisas feitas na música. Como ainda é recente, esta canção ainda não teve todo o reconhecimento merecido. Mas eu a colocaria, por exemplo, no mesmo nível de "Billy Jean", do Michael Jackson, "Kiss", do Prince ou "I Feel Good", do James Brown, para citar alguns exemplos.

Divertida, enlouquecida, com uma letra absurda, a faixa mais dançante dos novos tempos é tudo o que o pop precisa para seguir vivo por muito tempo. E aposto que a década termina com "Hey Ya!" ainda mantendo o topo como a grande música dos primeiros dez anos do novo século. 

Ou vai dizer que tu consegue ficar parado com o "Shake it like a polaroid picture"? 

discos, eu + música 4:56 am

A obra de Johnny Cash se torna com o tempo um daqueles mistérios deliciosos de se decifrar. A complexidade de um artista que teve quase 50 anos de carreira é sempre um ponto de interrogação, a partir dos caminhos desenvolvidos por ele nessa trajetória árdua da música.

No caso deste gênio, essa aventura de descobrir coisas perdura até hoje. Não lembro bem quando eu conheci as músicas de Johnny Cash. Acho que foi na minha primeira fase alt-country, quando conheci Wilco e passei a buscar no passado as origens para aquele som. Os mais conhecidos eram Johnny Cash e Hank Williams.

No entanto, o disco que mais ouvi de Cash é este fabuloso exemplar da série American. Na saga do americano Johnny Cash, ele transcende qualquer patamar imposto pela música mais tradicional do país. Na série de regravações, o véio viajou e emprestou a voz grave, os timbres densos e a melancolia dos arranjos para um time que dá inveja: Depeche Mode, Beatles, Sting, Simon and Garfunkel, Hank Williams e Nine Inch Nails (!!!).

E é justamente "Hurt", do excepcional "The Downard Spiral" do NIN que é a mais bela do disco: uma balada com um dedilhado de violão, costurada pela belíssima voz de Cash. Outro destaque é "Bridge Over Trouble Water", em dueto com Fiona Apple. Irresistível. Ou então a versão de "Desperado", do Eagles. Ouça de joelhos e chore na seqüência.

Este é American IV. Um disco de versões feitas pelo maior trovador da América. E foi gravado no meio de 2002, mandando beleza no meio do barulho que começava a encher os ouvidos no início da década.