Cowboy in the Sand

discos, eu + músicaMarch 5, 2007 9:56 pm

Essa lista era pra ser encerrada com o genial disco "Begin to Hope", de Regina Spektor. Foi a última novidade espetacular que a música me mostrou. 

No entanto, eu cometi o erro de ouvir este disco mais uma vez antes de escrever sobre 2006. E se a Regina Spektor é o que mais me chamou atenção em termos de qualidade de composições, nenhum álbum me divertiu tanto quanto "Inside In/Inside Out", do The Kooks.

O disco é uma coletânea de canções pop de primeira. "Naive" é irresistível. Com um refrão pegajoso, uma levada meio funk, meio rock, uma letra simples costurada por uma base que não dá vontade de tirar dos ouvidos, entraria numa lista de clássicos se a indústria atual fosse um pouco menos ávida em descobrir a maior banda da década. E tem mais: "Sofa Song", "Oh Lala" e "She Moves In Her Own Way", músicas que não devem em nada ao que a música tem como fator primordial: o entretenimento.

Escolheria Regina Spektor ou Arctic Monkeys se eu tivesse dez anos menos. No entanto, com 27 e uma história de acompanhamento musical que já dura 18 anos, a gente já tem a consolidação do que realmente ficou. E às vezes, a gente só quer sorrir um pouco com as novidades ao invés de apontar uma super novidade.

Por isso, fico com The Kooks. Sincero, leve, com balanço e sem grandes novidades. Mas é bom. Bom e principalmente divertido. Afinal, é pra isso que estamos fazendo isso, certo? Diversão. 

discos, eu + música 9:50 pm

O pop feminino norte-americano se divide basicamente em duas vertentes: o que eles chamam de singer/songwriter e as chamadas divas pop. No primeiro grupo, não lembro de nenhum sucesso maior do que (a canadense) Alanis Morisette conseguiu com Jagged Little Pill (1995). Gosto bastante de várias cantoras norte-americanas. No anos 1990, particularmente, Tori Amos, Liz Phair, Sheryl Crow e Fiona Apple lançaram bons discos. Ainda há as musas indie (Cat Power), as pianistas (Norah Jones) e por aí vai.

No caso das divas pop, nada supera, superou ou vai superar Madonna. Ela é como Pelé e Beatles: vai ser a maior de todos os tempos sempre.

A Madonna tem uma coisa que ninguém consegue. Ela já foi ninfeta, vagabunda, anti-cristo, sadomasoquista, atriz boa, atriz ruim, foi clubber, foi mãe, foi baladeira, foi romântica, foi certinha, foi bissexual, atacou de Evita, abraçou causas, deu selinho na Britney e não teve a imagem arranhada em absolutamente nada. Nunca alguém ousou chamar Madonna de oportunista. Ela foi multifacetada ao longo de quase 25 anos de carreira sendo autêntica o tempo todo.

Meus discos preferidos de Madonna são Like a Prayer (1989), que contém a genial faixa título, desde sempre a melhor música dela e um dos maiores clássicos da música pop, Erotica (1992), que tem a melhor balada da Madonna, "Rain", e Ray of Light (1998), um disco que reúne as melhores influências de música eletrônica.

Portanto "Confessions on the Dance Floor" passaria longe dessa escolha. Mas é um álbum com méritos. Mostra uma Madonna sossegada, sem ter que provar mais absolutamente nada, colocando a mão em faixas dançantes deprimeira, como "Hung Up" e "Sorry".

Fora que ela precisa estar nessa lista. Com o tempo, eu aprendi que o pop chamado por vezes descartável é  essencial para uma reciclagem habitual da música. Por causa da Madonna, existem Britney Spears, Christina Aguilera, Nelly Furtado, Jennifer Lopez, Pink e claro, Beyoncé. Esta é a melhor de todas, a única que tem luz própria pra chegar a primeira princesa. Porque a rainha é Madonna e este posto é vitalício.