2005 - CONFESSIONS ON THE DANCE FLOOR

O pop feminino norte-americano se divide basicamente em duas vertentes: o que eles chamam de singer/songwriter e as chamadas divas pop. No primeiro grupo, não lembro de nenhum sucesso maior do que (a canadense) Alanis Morisette conseguiu com Jagged Little Pill (1995). Gosto bastante de várias cantoras norte-americanas. No anos 1990, particularmente, Tori Amos, Liz Phair, Sheryl Crow e Fiona Apple lançaram bons discos. Ainda há as musas indie (Cat Power), as pianistas (Norah Jones) e por aí vai.
No caso das divas pop, nada supera, superou ou vai superar Madonna. Ela é como Pelé e Beatles: vai ser a maior de todos os tempos sempre.
A Madonna tem uma coisa que ninguém consegue. Ela já foi ninfeta, vagabunda, anti-cristo, sadomasoquista, atriz boa, atriz ruim, foi clubber, foi mãe, foi baladeira, foi romântica, foi certinha, foi bissexual, atacou de Evita, abraçou causas, deu selinho na Britney e não teve a imagem arranhada em absolutamente nada. Nunca alguém ousou chamar Madonna de oportunista. Ela foi multifacetada ao longo de quase 25 anos de carreira sendo autêntica o tempo todo.
Meus discos preferidos de Madonna são Like a Prayer (1989), que contém a genial faixa título, desde sempre a melhor música dela e um dos maiores clássicos da música pop, Erotica (1992), que tem a melhor balada da Madonna, "Rain", e Ray of Light (1998), um disco que reúne as melhores influências de música eletrônica.
Portanto "Confessions on the Dance Floor" passaria longe dessa escolha. Mas é um álbum com méritos. Mostra uma Madonna sossegada, sem ter que provar mais absolutamente nada, colocando a mão em faixas dançantes deprimeira, como "Hung Up" e "Sorry".
Fora que ela precisa estar nessa lista. Com o tempo, eu aprendi que o pop chamado por vezes descartável é essencial para uma reciclagem habitual da música. Por causa da Madonna, existem Britney Spears, Christina Aguilera, Nelly Furtado, Jennifer Lopez, Pink e claro, Beyoncé. Esta é a melhor de todas, a única que tem luz própria pra chegar a primeira princesa. Porque a rainha é Madonna e este posto é vitalício.
