
Fiquei realmente inspirado para escrever a respeito do Coldplay depois que li um bom post a respeito da banda.
Pra começar, eu não gosto de Coldplay. Eu nunca gostei de Coldplay. Acho a banda uma chatice sem precedentes. Talvez seja porque eu não vá com a cara do Chris Martin e o considere um dos grandes charlatões da música atual. Além de cantar mal pacas, tem aquela antipatia britânica habitual (que muitos consideram charme). Não tem o carisma de um Bono Vox, sequer de um Michael Stipe, que com toda sua timidez leva uma banda como o R.E.M. a patamares de super banda usando só a criativiade. E nem criativo o Chris Martin é.
No entanto, há de se ressaltar que o disco de 2001 da banda, "Parachutes", é um ótimo álbum. A abertura vem com "Don’t Panic", uma faixa que não poderia ser melhor para abrir um disco. Anunciando as intenções de "Parachutes", ela subverte a mesmice do brit pop em anos pouco inspirados de quem chefiava o carro, no caso o Oasis. Depois, vem "Shiver", outra música ótima. Preparando o terreno para a seqüência que torna o álbum uma referência atual e um dos melhores dos anos 2000, com "Yellow" e "Trouble". Aí, o Coldplay já ganhou o coração de todo mundo.
O disco seguinte do Coldplay, "A Rush of Blood to the Head", contém as duas melhores músicas da banda pra mim: "In My Place" e a obra prima "The Scientist". No entanto, "Parachutes" é mais coeso, e principalmente mais sincero.
Quanto ao que aconteceu depois, com a banda fazendo coisa ruim e o Chris Martin posando de Deus Supremo Da Música Pop, é simples. A culpa não é da Gwyneth Paltrow. Ela não fez nada, não mudou o cara.
Mas pense comigo: ele não era NADA, a imprensa inglesa, a mais sensacionalista de todas, passou a desejar o Coldplay como a salvação do rock mundial (lembrando: os semanários londrinos jamais apontariam alguma banda americana como salvação do rock mundial. Na época, os Strokes lançavam Is This It?, provando uma superioridade gritante em relação ao Coldplay. Eles precisavam de um álibi, que fosse aquela banda pop razoável com um vocalista bom moço), ele não suportou tanta purpurina, conseguiu comer uma gostosa famosa e aí veio de dentro das mais profundas tripas do organismo uma megalomania difícil de aceitar.
Sobre a queda na música do Coldplay? Vamos aguardar o quarto álbum e comprovar o que eu já sabia: que a banda é chata, sem grandes lances, repetitiva e monótona. Não concorda? Então vai ali e compara o grande momento do Coldplay com, por exemplo, Bittersweet Symphony (The Verve), Wonderwall (Oasis) ou Song 2 (Blur). É, assim se mede grandeza. E, apesar do ótimo disco "Parachutes" e das boas canções do segundo disco, o Coldplay tem que comer todo o feijão do mundo pra chegar aos pés do U2, que tem só 27 anos de carreira e fez, por exemplo, "One", "Sunday Bloody Sunday", "With or Without You", "Pride (In the Name of Love)"… È, falta muito ainda.
