
O meu disco de 1993 foi "Siamese Dream", do Smashing Pumpkins, mas bem que poderia ser "Get a Grip", do Aerosmith. Tem show da banda no dia 12 de abril aqui no Brasil e eu só não vou por pura economia, porque realmente estou juntando dinheiro.
Como não estarei no Morumbi, resolvi dar uma ouvida de cabo a rabo neste disco lançado por eles em 1993. Cheguei à conclusão de "Get a Grip" é muito mais difícil e complexo do que se imagina.
Demorou 20 anos para a banda conseguir fazer um álbum histórico. Por mais que "Aerosmith" (1974), "Toys in the Attic" (1975) e "Rocks" (1976) sejam bons discos, o Aerosmith nunca foi uma banda que conseguiu colocar um grande clássico nas lojas. E para chegar até Get a Grip, há de se fazer um breve retrospecto na carreira do grupo.
O Aerosmith é a típica banda antes e depois das drogas. Nos anos 70, tinham relativo sucesso, indo na esteira hard rock da segunda metade dos anos 70. No entanto, vieram os 80 e eles não sobreviveram ao pique. Steven Tyler e Joe Perry brigavam, um não conseguia tocar e outro mal parava em pé. Resultado: drogas, overdose e separação. Uma porrada de discos ruins e o tradicional ressurgimento, com uma banda de rap. Foi preciso uma sacada genial do RUN DMC para remixar Walk This Way e recolocar o Aerosmith num trilho certo.
O final dos anos 80 foi de "Permanent Vacation", seguindo a linha farofeira da época e de "Pump", este um disco bem mais consistente e de músicas excelentes, como "What It Takes" e a clássica "Jane’s Got a Gun".
Foi com Pump que surgiu de fato Get a Grip. Seria quase um Get a Grip I, para que em 1993 uma inspiração divina batesse na banda para compor um camalhaço de hits pra provar que eles ainda existiam. E que prova, meu deus do céu. Amazing, Cryin’, Crazy, Livin on the Edge, Eat the Rich, só pra pegar e sentar a lenha nas maiores power-ballads que os anos 90 presenciaram. No meio do grunge, o Aerosmith sofistica a farofagem, mete super produção e desbanca a barulheira e as novidades da década.
Mas o que fez de Get a Grip um disco altamente bem sucedido foi o fenômeno MTV. A MTV era em 1993 o que o youtube é hoje em dia. Talvez mais, o que a internet é em 2006. Era a primeira geração de TV a cabo e a MTV passava a ter uma audiência maciça. A MTV ditava a moda e gerenciava o que as rádios tocariam a partir de então. O Aerosmith venceu mais uma vez no quesito genialidade e tacou-lhe clipes com historinhas e uma personagem em comum em todos eles: Alicia Silverstone, em seu grande momento de celebridade.
Tava pronto o estrago. O Aerosmith ganhava um status que não tinha nos anos 70. Eram uma superbanda, com um disco altamente pop, competente e bem feito. Steven Tyler finalmente ganharia o reconhecimento por tudo que é: um puta vocalista, uma presença de palco invejável, um carisma arrebatador e principalmente a cara de uma banda que apostou na famosa fórmula incendiária do rock: o guitarrista místico e o vocalista popular (Page-Plant, Ozzy-Tony, Jagger-Richards, Mercury-May, Axl-Slash, Lee Roth-Van Halen, Bon Scott-Angus Young e o último exemplo, mais recente, Zach De La Rocha-Tom Morello, Rage Against the Machine).
Ou seja, ouvir novamente Get a Grip me deu um prazer enorme. Além da qualidade do disco e da virada na carreira da banda, é a lembrança de um tempo onde eu decorava videoclipes, anotava paradas musicais e vivia intensamente a música com uma ingenuidade e um senso de descobrimento bem maior do que agora. Queria ir no show, mas não se pode ter tudo, certo? Então, eu fico aqui e escuto Livin’ On the Edge, a melhor faixa do disco, e desejando longa vida a esta banda que depois do álbum de 1993 lançou a melhor-balada-oldskool-farofa da década: I Don´t Want to Miss a Thing, que vai virar clássico logo logo.

Realmente, Get a Grip foi digamos que histórico na nossa época. Clipes de qualidade, músicas que embalaram meus romances platônicos e aquele vozeirão do Steve Tyler marcaram a época. E essa história de MTV… é verdade! A gente pegou o início da MTV no cabo ou parabólica (ó o tempo que já faz!). E era música direto não tinha tanto programa como hoje. Bons e saudosos tempos… Também não vou no Aerosmith, mas vontade não me falta =/
bjs
Comment by Nessita! — March 19, 2007 @ 9:01 pm