Dominó - P da Vida (1988)

Esta PRECIOSIDADE foi composta por um cara chamado Edgar Poças (??).

P da vida surgiu da seguinte forma: o Grupo Dominó, a primeira criação de Gugu Liberato já vinha de sucessos nos anos 80. Mas algum gênio quis tornar a imagem dos quatro rapazes mais "politizada". Afinal, o Brasil atingia uma recessão e uma inflação inimagináveis. Que os bons moços passassem o recado para o país (quiçá mundo).

O resultado? Bom, eu ri. Estou comentando esta letra. 

Tô pê da vida >>Um grito de raiva que diz: "O DOMINÓ TAMBÉM TÁ PUTO DA CARA"

Olhando a gente tão pra baixo
Num baixo astral, num cambalacho >> Primeiro trocadilho esperto do compositor. Caetano adoraria.
E muito pouco amor à vida

Tô pê da vida
E o mundo em volta da ferida
Em transes loucos, transas nossas >> Esse aqui é genial. TRANSES LOUCOS, TRANSAS NOSSAS. O que eles querem dizer com isso? Acho que nem eles sabiam.
De mãos atadas vistas grossas
É muito pouco amor à vida

Tô pê da vida
Tão pondo fogo no planeta
E quem não tá vira careta
>> Depois dos anos de loucura, que venha o bom mocismo.
A fina flor do preconceito
De cor, de raça, de sujeito
>> Fim do apartheid.
Isso tem jeito (2X)

We are the world lá nas paradas >>> !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ISSO É INCRÍVEL. ELES BOTARAM ISSO NA MÚSICA. NÃO CONSIGO PENSAR EM NADA A NÃO SER EM RIR ETERNAMENTE.

E gerações desperdiçadas
Em tantas lutas sem sentido
Fecha as cortinas do passado
Mundo grilado, dolorido >> Grilado, gíria da época.
Que se conforma

Tô pê da vida
Doces jogadas ensaiadas
Nas mesas das nações unidas >>> Outra parte hilária. A ONU foi vítima da ácida crítica social do Dominó. Mesmo que eles tocassem apenas em baile de debutante e naquelas caravanas da agência PROMOARTE por Carapicuíba e Sorocaba.
Azucrinando nossas vidas
Jogos de dados combinados
Dados marcados >> E eles estão fora do sistema.

Tô pê da vida
Mas não me sinto derrotado
Não tem gatilho, nem cruzado >> Agora a vítima é José Sarney, o presidente da época.
Que vai me por nocauteado
A esperança é uma música
Canta essa música, nossa música, é nossa música… >> Quem não tá satisfeito que levantasse a mão

Tô pê da vida
Mas isso quase não é nada
Tem que enfrentar essa parada
E tem que por a mão na terra
Eu tô na guerra pela vida
Só pela vida
Viva a vida (2X) >> Viva a vida!!!!

Eu tenho a música, se quiserem. De tão ruim, tão ruim, mas tão ruim, hoje eu só consigo achar isso genial. Nenhum ser humano estúpido conseguiria ter a coragem de escrever estes versos de rima trocada, trocadilhos espertos, linguagem atual, alusão a palavrão e crítica social pretensiosa. E mais: não é um estúpido o cara que dá essa música para uma banda de garotinhos idolatrados por suburbanas paulistas e auditórios do SBT nos anos 80 produzida pelo almofadinha do Gugu Liberato.

Não, não é estúpido esse cara. Quem fez a música e quem deu ao Dominó só pode ser brilhante. Eu não conseguiria tamanha façanha. Acho que nem os maiores poetas botariam isso aí na roda. Pago pra ver.