ENGENHEIROS DO HAWAII - PARABÓLICA (1992)

Já escrevi aqui sobre Engenheiros do Hawaii algumas vezes. Na verdade, ultimamente eu ando usando este espaço quase como um justiceiro, querendo que alguns artistas sejam devidamente reconhecidos, idolatrados, reverenciados. Aqui, é difícil se elogiar uma banda como Engenheiros do Hawaii quando se tem várias onde os integrantes são "amigos da galera". O Humberto Gessinger nunca foi visto bebendo trago no Bambu’s ou no Bell’s, talvez por isso tanta gente o considere cafona, passado, chato. Ele disse uma vez que há os que amam ou odeiam os EngHaw. Eu estou no primeiro time.
Eu sou um caso à parte na verdade. Engenheiros do Hawaii foi a banda que me despertou junto com várias para a música. Depois eu conheci outras coisas e deixei os caras de lado, ali por 1992. De uns tempos pra cá, descobri que eu perdi a melhor fase deles, justamente a trilogia "Várias Variáveis", "GL&M" e "Filmes de Guerra, Canções de Amor" (já foi tema aqui). Três discos onde Humberto Gessinger desfila o melhor de sua forma, com letras esbanjando um sarcasmo inteligente e um instrumental afinadíssimo, quase um low-fi do rock brasileiro, incompreendido por, talvez, falta de carisma dos membros da banda (e excesso de inteligência).
No segundo disco (o melhor disco de estúdio dos Engenheiros), "Gessinger, Licks & Maltz", a banda nos brinda com "Parabólica". A música é uma homenagem do cara à sua filha, recém nascida. "Parabólica" é quase uma modinha de violão, bem baixinha, um dedilhado persistente que dá a entonação necessária para uma letra que é uma grande sacada (mesmo que insistam na incompreensão disso). Um hit instantâneo, uma balada sem refrão e com uma letra bem difícil, com todas as frases começando com a letra "P".
Agora, escute a música dentro da genialidade de composição do disco (onde há a relação direta de uma canção para a outra, antecipando a era dos links). Ela se torna ainda mais grandiosa, quase uma autenticação do singelo dentro da porrada que foi o início da década passada. E se for ouvir isolada, ela é irresistível. Até aprender a letra, até aprender a tocar ou entender tudo que ele quis passar com essa música.
Eu não vou tentar convencê-los da beleza dessa música, dessa banda e das letras do grupo. Até porque sou daqueles mais radicais que acha que realmente, a banda caiu muito após a saída do Licks. Mas tudo bem, eles fizeram tanta coisa boa que têm um crédito enorme pra mim. Fosse assim, odiaria o Led Zeppelin só porque os discos solo do Robert Plant são uma bosta, certo? Como não é o caso, confere aí, a genialidade do Humberto Gessinger.


