GUILHERME ARANTES - MEU MUNDO E NADA MAIS (1975)

O brasileiro faz a melhor música do mundo, mas quando é pra promover, só sabe colocar pros outros a mesma coisa (com exceções): BALANÇO e BOSSA NOVA. Resultado: um bando de pangaré fazendo qualquer coisa metida a ter suíngue (salve MESTRE Jorge Ben, pelo amor de deus, mas detonem por favor 80% dos escrotos que não sabem fazer samba rock, ou pior, estes que fizeram do samba-rock algo absolutamente igual, repetitivo e sacal). Ou então mais um bando de pangaré misturando alguma coisa que a Bjork, o Beck ou o Devendra Banhart disseram que é legal com a bossa nova repaginada. Por sinal, o que faz sucesso nosso fora do Brasil é, basicamente, a Bebel Gilberto e o Cansei de Ser Sexy (esta sim, uma banda original, criativa e, sim, brasileiríssima, no sentido mais bagaceiro de todos).
Durante muito tempo, a MPB viveu do Chico Buarque (aquele que nunca recebeu críticas, mesmo quando lançava um disco, vá lá, mais ou menos) e da palavra de Caetano Veloso (o que Caê dizia que era bom, assinava-se embaixo). Aqui escreve um profundo admirador de Chico e Caetano, de todas as suas fases, inclusive. Caetano gravou "Amanhã", de Guilherme Arantes, na época em que Guilherme Arantes era um bom compositor e todos assinaram embaixo. Mas acho que este gênio da música brasileira não teve a consideração merecida.
Aproveitando a onda do rock progressivo dos anos 70, Guilherme Arantes foi um desbravador quando lançou em 1975 a balada "Meu Mundo e Nada Mais". Pianistas compositores já não eram novidade desde o ótimo Ivan Lins do início dos anos 1970. No entanto, com esta música, ele foi além. "Meu Mundo e Nada Mais" é uma balada chorosa, com uma levada de piano do início ao fim, remetendo não só ao progressivo, mas como a do maior mestre nessa vertente pianística.
Em 1973, Elton John lançou o fundamental "Goodbye Yellow Brick Road", transgredindo o pop com um piano inconfundível. Arantes repetiu o fato dois anos depois, aqui no Brasil. Fundindo Elton John com Clube da Esquina, Rick Wakeman com Roberto Carlos, fez um disco de estréia fantástico, puxado por esta música. Isso bem antes dele compor o hino "Amanhã", que muitos ainda consideram brega de uma forma errada. Mas fazem assim com qualquer música "engajada-positiva", e eu lembro aqui "Amigo", de Roberto Carlos, "Coração de Estudante", de Milton Nascimento e "O que é o que é", de Gonzaguinha, pra citar três obras primas desses artistas, nem sempre as mais reconhecidas dos três. "Amanhã" é igualmente linda, mas não uma surpresa, como a mídia o considerou no início dos anos 70. Na verdade, foi só a prova da consolidação de um artista no auge da criação, o mesmo que pintou como grande promessa da música no final da década e não vingou por algumas irregularidades na carreira normais na trajetória de qualquer grande artista.
Como sempre acontece tardiamente com alguns gênios, é preciso que algum tipo de nova sensação da MPB faça alguma redescoberta com Guilherme Arantes. Belchior ganhou vida para os jovens através dos Los Hermanos. Fágner teve que fazer parceria com Zeca Baleiro pra que lembrassem que ele não era somente um peixe para em teu límpido aquário mergulhar. Osvaldo Montenegro é muito maior do que uma declaração de amor clichê de que metade de mim é amor e outra metade também. Zé Ramalho não simplesmente batia na porta do céu. Foram todos grandes compositores que hoje são esquecidos ou viram repertório de voz-violão em barzinho da moda pra meia dúzia cantar junto com aquela "Essa noite eu quero ir mais além/eu não devo nada pra ninguém" ou com a versão da Ana Carolina pra música do Damien Rice. Um balaio onde não se separa o joio do trigo, misturando porcarias que encantam enquanto a ceva fizer efeito com canções sem prazo de validade, únicas e especiais na melhor música do mundo, a brasileira.
Era um reconhecimento que esse cara gente boa pra cacete mereceria. Uma redescoberta da sua obra, que não é brega, é altamente qualificada, bonita e consistente. Eu começo por "Meu Mundo e Nada Mais". Fez sucesso e virou trilha de novela. Mas a Ana Carolina com o Totonho (Antonio) Villeroy também, não? E comparando boas canções com porcarias, a relação custo benefício dela empata com o Guilherme. Se bobear, até perde.

Amanhã na voz do Caetano é LINDA. “Amanhã…será um lindo dia…da mais louca alegria…que se possa imaginaaaaaaaar”
Quando teremos mais posts?
Comment by alessandra — July 26, 2007 @ 7:20 pm