Cowboy in the Sand

UncategorizedAugust 30, 2007 7:17 am

 

 

Não, eu não enlouqueci. O mesmo que escreveu sobre o Sepultura está colocando aqui um post sobre a música gauchesca, a música tradicionalista do estado onde nasci, cresci e vivo até então.

Escrever sobre este assunto, confesso, é mais difícil do que imaginava. Mais até do que o Top 10 Caetano, já que este post prometido é apenas uma questão de tempo e organização. Afinal, posso dizer que conheço muito mais a obra de Caetano Veloso do que qualquer artista regionalista. A dificuldade também acabou sendo percebida por outros fatores culturais. Mesmo antes da internet, eu fui criado já sob a égide da globalização. Sou da geração da TV, depois do UHF, das Rádios FM, das revistas gringas e do início da MTV. Depois veio a internet, veículo plenamente integrado ao meu método de vida.

Nunca andei a cavalo. Não conheço Alegrete, Santana do Livramento, Uruguaiana, São Gabriel, Bagé, nunca fui nas Missões nem na Campanha. Meu conhecimento geográfico presente do Rio Grande do Sul se restringe à Região Metropolitana, ao litoral, à Serra Gaúcha e a raras visitas à Região Central (Santa Maria, Santa Cruz), a alguma coisa da Região Norte (Passo Fundo) e da Região Sul (Pelotas, Rio Grande). Em alguns lugares, eu fiquei um dia apenas e voltei. Logo, é uma FRAUDE falando sobre nativismo. Ou quase, peralá.

No último ano, decidi investigar mais fundo a respeito de música. Ou ao menos de alguns estilos. Há apenas um ano eu ouvi "Desgarrados", de Mário Barbará e Sérgio Napp e me apaixonei. Uma música sobre os excluídos do estado que é uma poesia bruta absolutamente espetacular. A mp3, digitalizada de um vinil antigo, provavelmente de época, mantém aquele ruído característico e isso me ajudou a simplesmente venerar esta música.

Desde então, uma pesquisa árdua buscando tudo o que há de melhor na história de Califórnias da Canção, Tertúlias da Canção, Moendas da Canção e outros festivais. O banco de dados é tão vasto que fascina. Gosto disso. A busca pelo desconhecido, pela investigação a respeito de uma cultura existente, cativa e consistente. Foi quando eu percebi toda a magia da música gaúcha. Eu fui criado ouvindo metal e punk rock. Gosto de gangsta e de rap nacional. Minha banda preferida é Smashing Pumpkins. Nada poderia não combinar. De onde veio essa atração repentina pelo gauchismo? Logo fui ao country americano. Fã do ritmo (do country de qualidade e do folk), há alguma semelhança estética que talvez só eu tenha notado. O campo, o lirismo, o bucólico, a liberdade, as cavalgadas, as longas jornadas de solidão e a companhia na maior tempo de uma paisagem exuberante transformados numa música ora dançante, ora de veneração pela própria terra, ora de escape para uma solidão que encanta e vira poesia.

Aí vai meu top 10 nativista. Feito por um leigo no assunto. Talvez este seja meu post musical mais inseguro de todos. Justamente por isso permito correções nos comentários. Mas resolvi escrever, como uma forma de homenagem a esta riquíssima música que tem uma qualidade imensa, à despeito de inúmeras bostas de bailão de fundo de quintal. Mas isso todo gênero tem.

1- Desgarrados (Mário Barbará e Sérgio Napp) 

Já escrevi sobre esta música acima. Ouso afirmar que é uma das canções mais lindas que já ouvi. Poesia bruta, melodia singela e instrumental impecável. De chorar no cantinho da fogueira.

2- Vento Negro (José Fogaça) 

Pois é, nosso prefeito era um excepcional compositor. "Vento Negro" deveria ser um clássico a ser ensinado em qualquer escola do estado. E é o refrão mais melancólico produzido aqui no estado. Linda, linda.

3- Céu, Sol, Sul, Terra e Cor (J. Morecy Teixeira)

Uma homenagem profunda e poética às coisas do Rio Grande do Sul. "mostrar para quem quiser ver
o lugar para viver sem chorar." é o trecho que exalta um orgulho absolutamente único. E admirável.

4- Horizontes (Flávio Bicca)

Urbanismo bucólico homenageando a capital dos gaúchos. Um horizonte que tinha como perspectiva tempos melhores após tempos difíceis pós-ditadura. Um ápice de criatividade.

5- Semeadura (Vitor Ramil e José Fogaça) 

Aí o prefeito de novo, nesse clássico composto junto com Vitor Ramil. Semeadura é outra música fortíssima, uma milonga que prega uma jornada, o espírito de luta do povo gaúcho, uma seqüência de não perder as esperanças na jornada que pode ser longa.

6- Os Cardeais (Elton Saldanha) 

O compositor pop do nativismo compôs esta balada que dá vontade de chorar, uma apologia à liberdade, numa analogia de pura sensibilidade, sobre os pássaros que são bem melhores livres. Para que estamos presos então?

7- Pêlos (José Cláudio Machado) 

Para os especialistas, é o maior cantor de todos os tempos na música gauchesca. A voz de José Cláudio Machado é, de fato, de arrepiar. Uma música irresistível, impossível de não saber o refrão após a segunda audição.

8- Os Homens de Preto (Paulo Ruschell) 

Essa música é quase uma prece, que empurra a boiada, a comitiva, pelas coxilhas, com os homens de preto puxando a boiada e o animal marcado só seguindo o rumo definido por eles. Genial! Uma oração!

9- Canto Alegretense (Nico e Bagre Fagundes) 

Típica, conhecida, manjada? Canto Alegretense é uma homenagem à cidade do Alegrete, às estâncias gaúchas, numa estrutura absolutamente pop, que até pagode acho que virou.

10- Coração de Luto (Teixeirinha) 

Leia a letra de Coração de Luto e saiba o que é realmente melancolia na música. Fora que tem Teixeirinha, o maior nome do nativismo.

vídeosAugust 24, 2007 8:55 pm

Enquanto eu ainda não chego à conclusão sobre o TOP 10 CAETANO VELOSO, deliciem-se com esse vídeo, de uma música espetacular. Uma versão no caso.

Yahoo, com Mordida de Amor. Robertinho do Recife na guitarra. Trata-se de uma versão de "Love Bites", do Def Leppard, numa adaptação melhor que a original.

Música de verdade, sim.  

Desculpem-me, mas não consegui colocar o vídeo no post. Merda de template. 

listasAugust 19, 2007 5:02 pm

Troquei o Caetano pelo Sepultura por causa da notícia de que Iggor (agora com dois "g") se inspira no funk para cmpor seu set de DJ. O que só reforça o que eu sempre pensei do melhor baterista brasileiro. Um cara que surgiu do metal e admite que o pancadão é a coisa mais criativa que o Brasil colocou. Outra hora eu reproduzo meu texto sobre funk, que eu considero a maior manifestação genuinamente brasileira da música moderna.

Mas vamos voltar ao Sepultura. É, o top 10 deles. Posso dizer que eu simplesmente abandonei a banda em 1998, quando o Max deixou. Portanto, não haverá nenhuma música dessa era ("Choke" é legalzinha, mas o Derrick não desce como vocalista, apesar de ser muita gente boa).

 1- Territory (Chaos AD, 1993)

Existem quinhentas músicas de heavy (thrash) metal perfeitas. Territory é uma delas. Um riff perfeito, uma bateria espetacular e finalmente o que faltava para o Sepultura: uma produção classe A num disco, como foi Chaos AD, o segundo melhor da banda. Ah, e Territory tem MELODIA. Por sinal, uma bela melodia. Por isso, merece o primeiro lugar aqui.

2- Kaiowas (Chaos AD, 1993) 

Batida indígena, música instrumental. Quase um ritual de tribo. isso tudo num disco de metal! Pense em toda a transgressão que envolve Kaiowas. E é uma batida irresistível.

3- Attitude (Roots, 1996) 

A melhor faixa de Roots é essa. É um berimbau que abre para uma roda de capoeira ceder lugar a uma guitarrada no cérebro e uma bateria constante, com o Andreas Kisser rosnando na tua mente o tempo todo. Uma porrada absolutamente necessária e espetacular.

4- Under Siege (Arise, 1991) 

Um grande disco do Sepultura que tem como ponto alto esse dedilhado belíssimo que evolui para uma tosqueira maravilhosa.

5- Refuse/Resist (Chaos AD, 1993) 

Pra abrir esta obra que é Chaos AD, uma faixa alucinante.

6- Desperate Cry (Arise, 1991) 

O fechamento de Arise, em grande estilo, com mais um show de Igor Cavalera.

7- Roots Bloody Roots (Roots, 1996) 

Eis que chegava a hora do Sepultura ter um hit. É, Roots Bloody Roots é um hit da banda. Chega tardiamente, em 96, com um disco avassalador, excepcional e merecidamente reconhecido. E com essa música foi possível cantar e chamar outros públicos.

8- Slave New World (Chaos AD, 1993) 

Esse é o meu disco preferido do Sepultura, sem dúvidas. Questão pessoal. Mais uma música esplêndida.

9-  Inner Self (Beneath the Remains, 1989)

Primeiro arrasa-quarteirão do Sepultura, inserido nesse disco das antigas, ainda com uma produção bem pra baixo de razoável, mas impondo o estilo que a banda iria consagrar como uma das grandes do metal.

10-  Dead Embryonic Cells (Arise, 1991)

Primeira letra que eu aprendi da banda. 

listasAugust 14, 2007 5:29 am

1- Panis Et Circensis (Os Mutantes, 1968 ou em Tropicália, 1967)

A faixa de abertura do primeiro disco da banda é uma obra prima da música brasileira. "Panis Et Circensis" é uma alegoria feita com uma maestria gigante para contestar o Brasil. E eu digo o Brasil da ditadura e o Brasil atual, já que todo mundo ainda fica preocupado em nascer e morrer.

2- Desculpe, Babe (A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado, 1970) 

A melodia mais bonita da banda. Com um refrão espetacular, na melhor fase dos Mutantes.

3- Vida de Cachorro (Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets, 1972) 

Os Mutantes decidiram fazer uma declaração de amor para um cachorro, numa modinha de violão belíssima. Sou fã dessa música.

4- Virgínia (Jardim Elétrico, 1971) 

Quando eles falavam de amor, eram imbatíveis. Como nessa música, Virgínia.

5- Top Top (Jardim Elétrico, 1971)

E quando queriam SABOTAR, ninguém se aproximava deles. Aliás, Jardim Elétrico é o disco que marca uma virada sutil que depois iria se transformar no progressivo futuro da banda. O disco deixa de lado um tropicalismo e passa a investir em um rock menos alegórico, porém ainda satírico.

6- Fuga número 2 (Mutantes, 1969) 

Faixa do segundo disco da banda, essa música é espetacular, com um dos refrões mais contundentes feitos pela banda.

7- Portugal de Navio (Jardim Elétrico, 1971) 

Outra música desse álbum excepcional, investindo novamente na sátira.

8- Qualquer Bobagem (Mutantes, 1969) 

Foi regravada pelo Pato Fu, mas criada por eles, em plena ebulição do tropicalismo e no meio da ditadura. Os Mutantes conseguiam ser tudo isso, tropicalistas, progressivos e visionários. Aí está a "caipira" Qualquer Bobagem pra misturar pureza, sofisticação e ousadia.

9- Chão de Estrelas (Divina Comédia ou Ando Meio Desligado, 1970) 

Um clássico da música brasileira na Era do Rádio gravado por uma banda de rock? Tropicalismo: Brasil acima de tudo, com qualidade, numa versão exemplar.

10-  O A e o Z (O A e o Z, 1992)

Gravado nos anos 1970, mas somente lançado em 1992, o disco é da fase progressiva da banda. Mas "O A e o Z" é a melhor música dessa fase, quando a banda era de Sérgio Dias, um dos maiores guitarristas de todos os tempos no país. 

 

Próximo post: Top 10 Caetano Veloso Sepultura.

 

listas, bandasAugust 8, 2007 7:03 pm

Começo agora uma lista com as 10 mais das bandas e artistas mais importantes da música pop. É pra estimular o leitor a cada um fazer a sua, afinal, não vou botar nada desconhecido aqui. Começo com Beatles. E eu sei que cada um tem a suas preferidas dos quatro de Liverpool.

 

1- Hey Jude (single, 1968)

São oito minutos de pura melancolia em uma da maior balada de todos os tempos (talvez junto com Stairway to Heaven, Led Zeppelin). Apesar de 891 tentativas de simplesmente ESTRAGAR com essa música, não adianta. Hey Jude é a melhor música dos  Beatles, a melhor da década (talvez junto com God Only Knows, do Beach Boys). Mas pra encerrar com os "talvez", definitivamente: Hey Jude é eterna, perfeita e absolutamente magistral. Foi imitada, copiada, reeditada, fizeram cover, cagaram em cima, botaram tudo de pior e colocaram todas as boas intenções em algo que não precisava mexer uma vírgula. "Hey Jude" é perfeita assim, com o Paul cantando, com os Beatles tocando, com a gente chorando.

2- The Long and Winding Road (Let It Be, 1970)

Provavelmente uma das mais lindas de todos os tempos. Ela quase fecha o Let It Be, quase fechando os Beatles e é quase uma profecia. Com uma orquestração e uma interpretação brilhante, é de chorar no cantinho e entender porque a banda é a maior da história.

3-  Golden Slumbers / Carry That Weight (Abbey Road, 1969)

São duas músicas diferentes na verdade. Mas as duas se completam de uma maneira que, ao menos para mim, é impossível de dissociar. E quando viram uma só, ficam quase imbatíveis.

4- Helter Skelter (White Album, 1968) 

Aqui, a primeira popularização do metal na história. Uma porradinha composta dentro do melhor disco da banda.

5- Across the Universe (Let It Be, 1970) 

Outra balada triste da banda, chegando à perfeição da melancolia, há muito tempo atrás.

6- In My Life (Rubber Soul, 1964) 

No melhor disco da primeira fase da banda, eles fizeram mais esta balada irresistível, provando que meu gosto com a banda não tem nada a ver com o Iê-Iê-Iê, eu gosto é das baladas mesmo.

7- With a Little Help From My Friends (Sgt Peppers Lonely Heart’s Club Band, 1967) 

Quase um pop perfeito. No disco que mudou o mundo, With a little help… é a melhor, pra mim, ao menos.

8- Dear Prudence (White Album, 1968) 

Depois do petardo de Back In the USSR, os Beatles colocam paz e soltam essa balada (mais uma vez) tão linda, tão linda, que é até de duvidar que ela tenha sido feita.

 9- Something (Abbey Road, 1969)

Gosto de músicas que crescem nos refrões. "Something" é isso. Tem um dos melhores refrões dos Beatles, com os violinos se destacando. E um solo que vem logo depois que acaba com qualquer um.

10- I Saw Her Standing There (Please Please Me, 1963) 

Pra não dizer que não falei da primeira fase, aqui está a música UM do álbum UM dos Beatles. E a melhor das dançantes dos Beatles.  

 

No próximo segmento, o Top 10 Mutantes. 

 

Uncategorized 5:17 pm

Uma das bandas brasileiras que eu mais respeito se chama Paralamas do Sucesso. Isso se deve principalmente ao trabalho que eles fizeram no disco "Selvagem" (1986), pra mim uma obra prima da música brasileira. Absolutamente indispensável, os Paralamas deixaram de ser o Police para se tornarem a banda do rock Brasil mais brasileira. Misturando Tim Maia, Gilberto Gil, metais, reggae e guitarras excelentes, os Paralamas viraram o jogo da década e anteciparam um pouco os anos 90, quando a fusão de ritmos se tornou obrigatória para o rock nacional sobreviver. Aliás, faltaria uma virada dessas agora, não? Por mais que boas bandas surjam, há um nivelamento perigoso provocado pela internet, mas este é um assunto que eu quero tratar mais tarde.

 Admiro ainda a fase pop dos Paralamas, a fase "Vâmo Batê Lata". Isso por causa de dois discos básicos para a década passada: "Nove Luas" (1996) e "Hey Na Na" (1998), quando eles despencaram a fazer hits e mais hits. Fora "Uma Brasileira", que é de 1994, a maior música pop-MPB feita nos últimos 20 anos. Mas aqui eu escrevo sobre "Lanterna dos Afogados", pra mim a música mais linda dos Paralamas.

 Composta em 1989, para o disco Big Bang, "Lanterna dos Afogados" é uma balada maravilhosa. Uma letra excelente, com um piano ditando o ritmo para a guitarra de Herbert Vianna soltar a porrada quando necessário. Além disso, o trabalho conjunto dos três músicos espetaculares da banda: Herbert, Bi e Barone formam, talvez, a melhor banda brasileira em aspectos musicais e de entrosamento (contando ainda com o tecladista João Fera e outros músicos de impressionante quilate).

"Lanterna…" também é a preferida de vários fãs. É a minha dessa banda que eu considero uma das maiores do país. Fora o solo, que é antológico. 

UncategorizedAugust 7, 2007 6:00 am

 Os anos 90 produziram uma série de cantoras/compositoras com algum talento. Alanis Morisette foi a que fez mais sucesso, disparadamente. Ela lançou um ótimo disco de estréia e outras boas músicas (como a excelente "Hands Clean"), mas inexplicavelmente Alanis não é mais aquela freqüentadora assídua das paradas. A outra grande expoente é Sheryl Crow.

 Na década, surgiram nomes como Jewel, Tracy Bonham, Meredith Brooks e Joan Osbourne. Particularmente, sabia que elas não teriam uma vida longa e estável. Primeiro pela pouca originalidade nas canções. E depois, por ser difícil manter uma regularidade nesse som, despencando volta e meia na qualidade das músicas. São cantoras de bons hits e discos somente razoáveis.

Atualmente, as divas são outras. Aí estão Lily Allen e Amy Winehouse, que, à despeito de suas qualidades (são ótimas cantoras e lançaram discos bons demais), mostram que é preciso ter aquela atitude de chinelona de bar pra dar certo. O lado meigo da coisa, da intimidade voz/violão/músicas de amor pra adolescentes ficou no meio do caminho, ao que parece. Afinal, parece que os jovens de hoje não gostam mais desse tipo de coisa.

Destas músicas que já fazem dez anos (ou mais), eu gosto de uma chamada "Stay (I Missed You)", gravada por uma mina chamada Lisa Loeb. Não sei que fim levou Lisa Loeb, que lançou um disco em 1994 acompanhada por sua banda Nine Stories. Mas "Stay" ficou para a posteridade.

É uma balada, meiga, com uma voz bem baixinha e quase infantil, com uma levada de violão bem suave, com versos inocentes de uma menina apaixonada. A construção, pop até não poder mais, é absolutamente encantadora.

"Stay" foi número 1 nos EUA em 1994. Certamente consumida pelo público que tinha a mesma idade que eu na época, os seus 14, 15 anos. Mas nunca mais foi tocada. Nunca mais ouvi nem em recordação. Ninguém mais falou a respeito. Como se fosse uma daquelas músicas descartáveis que todo mundo gosta no momento mas que só ouve por saudade dos tempos. Eu acho "Stay" um pouco mais que isso. Acho uma canção de qualidade e que se perdeu através dos tempos. 

faixasAugust 1, 2007 6:09 am

Considero Zé Ramalho um dos grandes gênios da MPB. Seu início de carreira, principalmente nos dois primeiros discos, apontavam para uma das vertentes mais lindas do nosso cancioneiro. A música urbana nordestina. Quase um folk country com sotaque paraíba que invadiu os centros do país no final dos anos 70.

O ápice do cantor foi com esta música. "Chão de Giz" está na minha opinião entre as 20 músicas mais lindas que eu já ouvi. Estava assistindo a alguns vídeos nesta madrugada quando eu simplesmente precisei ouvir esta obra-prima. Uma melodia linda, com uma levada de violões, pontuada com a voz grave de Ramalho.  Uma poesia musicada de uma sutileza impressionante, uma declaração de amor terrível, dolorosa e profundamente triste.

"Chão de Giz" é uma das top 10 barzinho-voz-e-violão de barzinhos espalhados por este país. E mesmo quando interpretada por um qualquer, ela fica linda. É o tipo de música onde eu não consigo ver sendo avacalhada. Talvez pela letra, uma das que mais me toca de todas que eu conheço.

"Desço dessa solidão/ Espalho coisa sobre um chão de giz (…) Eu vou te jogar num pano de guardar confetes (…) Há tantas violetas velhas sem um colibri (…) Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro / Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom (…) Agora pego o caminhão, na lona vou à nocaute outra vez / Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar / Meus 20 anos de boy, that’s over baby / Freud explica  (…) Quanto ao pano dos confetes / Já passou meu carnaval / Isso explica porque o sexo é assunto popular / E no mais estou indo embora, baby"

Uma colagem de recordações infinitas e de frustrações que ficam com o tempo e assim se sucede uma canção chorosa, esplêndida, alta, grandiosa e que emociona qualquer um. Poesia pura, profunda, lírica e romântica. Na melodia mais linda que Zé Ramalho já colocou nos nossos ouvidos.

Obrigatória pra qualquer um.