Cowboy in the Sand

listas, eu + músicaApril 25, 2007 6:07 am

A revista Rolling Stone publicou a lista de 40 canções que mudaram o mundo.

Não gosto de comentar listas dos outros. Eu iria fazer a lista de acordo com a minha opinião, mas vou mais longe. Fiquem com a lista das 40 canções que MUDARAM A MINHA VIDA. Porque eu ainda sou mais megalomaníaco.

 

1- Faith No More - Epic

A música que mudou a vida da minha geração foi "Smells Like Teen Spirit". No entanto, ver aquele cabeludo cantando feito um louco no clipe, depois de assistir ao show de uma banda que eu não conhecia, aos 11 anos, no Rock In Rio 2, em 1991, foi demais pra mim. Mike Patton e o Faith No More mudaram a minha vida. Foram eles que me direcionaram para que eu me apaixonasse pela música. Os culpados, eles, essa música. Se vocês amam ou odeiam esse blog, culpem o Faith No More. Aliás, se vocês me amam ou me odeiam, culpem também o Faith No More. A banda que mudou minha vida. Em todos os sentidos.

 

2- Guns N’Roses - Swet Child O’Mine

A maior idolatria que eu tive no rock até hoje. Se teve algo que eu queria ser era algum membro do Guns N’Roses. Até chegar o FNM, era a única banda que de fato eu ouvia e gostava.

 

3  - Ramones - Poison Heart

Os Ramones eram a banda de Poison Heart pra mim, música do Mondo Bizarro (1992). Depois eu entendi tudo que eles significaram e a mensagem que o punk passou para que eu evoluísse minha adolescência fazendo como e adotando isso como maneira de construir minha identidade sonora.

 

4- Smashing Pumpkins - Disarm 

Qual música te fez chorar pela primeira vez que ouviu? A minha foi essa. E o Smashing Pumpkins me arrebatou de primeira. Virou minha melhor banda.

 

5- Legião Urbana - Pais e Filhos

Eu tinha 9 anos e gostava do Sérgio Mallandro. Foi quando eu ouvi "Pais e Filhos" e percebi que o rock existia.

 

6- Pixies - Where’s My Mind? 

Foi quando eu descobri que o Pixies tinha feito essa música que eu entendi as razões dessa banda ser a maior referência para o rock que veio na seqüência.

 

7- Metallica - Enter Sandman 

Decorei até a oração da música de tanto que ouvi. Comprei camiseta e deixei o cabelo crescer. Por alguns momentos, minha vida foi sim o Metallica.

 

8- Nirvana - Smells Like Teen Spirit 

Eu sei, pra mim também foi a mesma coisa. Claro que falo daqueles que nasceram entre 78 e 81.

 

9- Neil Young - Heart of Gold 

Eu ouvia metal quando escutei pela primeira vez o disco "Harvest", especialmente "Heart of Gold" e "The Needle and the damage done". E esse cara passou a ser meu maior ídolo da música. Em todos os tempos.

 

10- Jeff Buckley - Last Goodbye 

Na mais recente das descobertas, considerando o tempo, o surgimento de um novo ídolo.

11- Helmet - Unsung

12- The Clash - White Man (In Hammersmith Palais)

13- Engenheiros do Hawaii - Infinita Highway

14- Pearl Jam - Jeremy

15- Alice In Chains - Would?

16- Alanis Morisette - Head Over Feet

17- Soundgarden - Outshined

18- Weezer - Buddy Holly

19- AC/DC - Highway to Hell 

20- Megadeth - Symphony of Destruction

21- Led Zeppelin - Stairway to Heaven

22- Pantera - This Love

23 - U2 - One

24- Radiohead - Fake Plastic Trees

25- Black Sabbath - War Pigs

26- Goo Goo Dolls - Iris

27- Raimundos - Puteiro em João Pessoa

28- Skid Row - I Remember You

29- Cascavelletes - Jessica Rose

30- Green Day - Basketcase

31- Aerosmith - Cryin’

32- R.E.M - Losing My Religion

33- Rage Against the Machine - Killing in the Name

34- TLC - Waterfalls

35- Kiss - Nothin’ to Lose

36- Black Crowes - Remedy

37- Outkast - Hey Ya!

38- Racionais MCs - Capítulo 4, Versículo 3

39- Nine Inch Nails - Closer

40- Violent Femmes - Blister in the Sun

 

** Decidi não explicar muito até a posição quarenta, pela falta de paciência mesmo. Mas cada uma dessas músicas, acreditem, tem uma razão especial de figurar na lista. Abrange diferentes épocas em diferentes estilos. São extremamente pessoais e refletiram as épocas em que eu estava ouvindo elas. Iris, por exemplo, eu não agüento ouvir hoje em dia. Mas como se lembrar de 98 sem Iris? A maioria é um reflexo da minha formação musical, quase uma salada de referências dos anos 90. Aliás, da lista, 26 são dos anos 1990. 8 são dos anos 1980, 5 dos anos 1970 e 1 dos anos 2000.

** As escolhas se dão na fase pós-música infantil.

** Estranhando a ausência de músicas dos Beatles? Sou fã, claro. Agora, nenhuma mudou minha vida efetivamente. Nem dos Stones. Para meu know how musical, Ramones e Led Zeppelin, por exemplo, são bem mais representativos do que Beatles e Stones. A lista também mostra nenhuma música dos anos 60. Mesma razão que os anos 2000 só cederam Hey Ya! para a lista. Como minha criação foi nos 90, a maioria é da década.

** As escolhas são meramente pessoais. Cada uma, na seqüência, por um motivo. Mas o que pesou mais foi o significado musical e o legado de cada canção para minha vida.

** Caberia menção honrosa para pelo menos umas cem bandas. Mas como a vida é minha e eu sei o que aconteceu com ela, fiquem com as 40. 

repercutindo notícia, internet + música, eu + músicaApril 24, 2007 4:45 am

O logo da Rádio Amazônia FM anuncia. É hora do tecnobrega. E eu repito a descrição da comunidade no orkut:

"O som que faz a Cabeça dos Paraenses! Essa música toca nas rádios locais e nas festas de aparelhagem, que rola na periferia paraense, com equipamento gigantesco formado por centenas de amplificadores, televisores, teclados, "samplers", tudo empilhado em formato de totem tribal eletrônico. O tecnobrega surgiuno verão de 2002, mas ferveu nas festas de aparelhagem em 2003. É o velho brega, com batida mais acelerada, feito só com sons de computadores. Parece um Kraftwerk de palafita, produzido sob calor equatorial por quem escutou muito carimbó, cúmbia, zouk e Renato e Seus Blue Caps - e não domina ainda totalmente os recursos do "cut-and-paste" que hoje estão na base dos softwares de produção musical. Os músicos não têm mais gravadoras nem o custo de prensar os discos, imprimir as capas ou distribuir os produtos e isso tudo fica por conta dos camelôs e seus sistemas não-oficiais de indústria e comércio. O tecnobrega assumiu a pirataria como forma de divulgação."

O cara que escreveu isso já é genial. Kraftwerk de palafita é perfeito. Mas eu vou mais longe nesse delírio de idéias para descrever o ritmo que o magal gaúcho (atrasado, como sempre) vai ouvir no carro dele no verão 2008. Abaixo, o meu texto sobre o tecnobrega.

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Um dos meus filmes brasileiros preferidos é Bye Bye Brasil. Feito em 1979 por Cacá Diegues, contava a história da Caravana Rólidei (assim mesmo), uma trupe que misturava espetáculo circense, diversão adulta e jogativa, e que perambulava pelas terras esquecidas do Brasil e que o mesmo Brasil da ditadura fazia questão em enfatizar que existia. Falo da Região da Transamazônica, ou então uma faixa que compreende o litoral de Alagoas, passa pelo sertão, pega o sul da Região Norte, atravessa a fronteira Pará-Mato Grosso e termina nos estados amazônicos.

José Wilker era o chefe da caravana. Betty Faria, a fiel escudeira, a quem Wilker oferecia os serviços de acompanhante à coronelada da região. Juntam-se a eles Fábio Júnior (o mesmo, em, acreditem, belíssima interpretação) e Zaira Zambelli, cujo personagem era uma grávida. A Caravana Rólidêi passava pelos locais mais ermos dessa região esquecida no país. Um misto de sertão com floresta, um rito de passagem de mar, caatinga, cerrado e selva, com cidades ainda subdesenvolvidas, onde naquela época a TV era ainda uma invenção mirabolante e cara. Detalhe que o homem pousou na Lua dez anos antes e tudo isso passou na TV. Coisas de um Brasil atraente demais, no meu ponto de vista.

Bye Bye Brasil era a perfeita sinergia do arcaico com o moderno. Os serviços da caravana (baralho, putaria e circo) se confrontavam com o que eles chamavam "espinha de peixe" (as antenas de TV, espalhadas em lugares emergentes, como a Altamira dos anos 70. Altamira é uma cidade paraense, vale dizer).

O impacto tecnológico no meio da aridez miserável do Norte-Nordeste do país é hoje conciliada por um fenômeno musical que vai encher teus ouvidos ano que vem. A Calypso é um pouco, mas certamente teus ouvidos não estão preparados para as mais diversas vertentes do que está sendo chamado, lá BEM em cima, de tecnobrega.

O tecnobrega é a mistura da sanfona com o sintetizador. É o forró com DJ. É o boi amazonense com MC. É um baile funk do Rio com chamego de Garantido e Caprichoso. É proibidão à beira do Solimões. É teclado de churrascaria de beira de estrada com uma banda ao vivo, fazendo show pra caminhoneiro que vai pegar a Cuiabá-Santarém. É pornografia explícita na letra, soterrada com um sotaque sertanejo do agreste. É a transamazônica resgatada pela mais original mistura do país. É a oficialização da pirataria como meio de divulgação. Não essa nossa pirataria chic, mas sim a pirataria de centro de cidade, do asfalto da Rocinha ou da beira do porto de Belém do Pará. É a pirataria de barraquinha, do pague 10 reais e leve "Saia Rodada", "Pepe Moreno" e o Office 2003.

O tecnobrega pega os ritmos amazonenses e o forró. É a Banda Calypso plugada numa mesa de som com um software cachorro pra inverter as bases e colocar uma batida simplória. No Pará, principalmente, os bailes são transmitidos na íntegra nas rádios locais. As intervenções dos MCs são inúmeras, ao longo da mesma música. Eles mandam recado, falam palavras de ordem, incentivando a sacanagem, a liberação de todo e qualquer pudor e pra galera chegar junto, no meio da churrascada e ir pro pau.  

Quais as qualidades, portanto, de um ritmo batido, igual, com uma letra pornográfica ou com dor de corno? De uma sanfoninha repetitiva com um teclado pobre, baixado em qualquer software livre da internet? E ainda encontrando como forma de divulgação a ilegalidade da pirataria barata, aquela de ponta de rua, as barraquinhas se proliferando, com um aparelho de som pirata repetindo este ritmo bagaceiro e sem conteúdo? 

É o Bye Bye Brasil. Uma originalidade que supera qualquer país. É o Bye Bye Brasil encontrando o Sex Pistols. A filosofia punk do "faça você mesmo" é aplicada com exatidão nesse caso. Para dar uma roupagem mais moderna a estes ritmos, como o forró, diversas pessoas que não conhecem música acharam a saída: plugar um sintetizador e sair mandando batidas. E para o gosto popular, nada melhor do que PUTARIA. Disso o brasileiro entende e cá pra nós, é bom pra caralho.

Kraftwerk de palafitas, Luiz Gonzaga com banda larga, Dominguinhos com três amantes, dançarinas da Carrapicho emulando Fatboy Slim, Rio Negro e Solimões embalados em rave. Tudo isso é o tecnobrega. Brega porque é o que o brasileiro é. E porque faz sucesso. E techno porque esta é a tecnologia empregada por eles: software gratuito, usado por quem nunca passou perto de aula de informática, distribuição pirata e show com mestre de cerimônias mandando ver na pegação.  

E como resultado, o ritmo mais criativo da década. Algo inacreditável, que infelizmente ouvidinhos de guri de apartamento porto-alegrense (há algo pior?) não estão acostumados. O choque é muito maior do que qualquer putaria juvenil em festa no Beco. É algo impressionante e que nem eu me acostumei. Só admirei o espírito inventivo de quem criou isso. De tão ruim, mal acabado, feio e absurdo, acabei achando um gênio da nova música brasileira o cidadão que descobriu essa fórmula. Compor sabendo das coisas é bem mais fácil do que não saber absolutamente nada e construir as mais impressionantes pérolas da cara-de-pau desse povo espetacular, que é o brasileiro.

Como ninguém vai ouvir, aí vai o serviço.

Cinco músicas básicas do tecnobrega: 

1) Pepe Moreno - Risca Faca

2) Saia Rodada - Lapada na Chapada

3) Aviões do Forró - Eu não vou mais chorar

4) Felipão e Forró Moral - Dança do Strip Tease

5) Banda Amazônia - Tic Tic Tac (não é a do Carrapicho. É bem pior, no bom sentido.) 

Aposta da casa 

Hit dos carros no verão 2008.

Pra quem gosta de 

Forró roots, ritmos paraenses, floresta amazônica, churrascaria de beira de estrada, espírito caminhoneiro e puta barata. Musicalmente: sem referências anteriores.

Perfeita para ouvir onde 

Num puteiro, com um balde de seis latinhas de Antártica a 8 reais, com uma luz vermelha, numa cidade do interior do Pará ou do Ceará, com um monte de chinelonas cobrando 20 pila o programa ao teu redor. Ou então esperando a barca que atravessa a foz do Amazonas, em Belém, numa barraquinha de CD pirata, comendo um churrasquinho com farofa e tomando cerveja quente.

Ou simplesmente para quem 

Mandou às favas o preconceito musical e entende que a música é uma merda, mas o que vale é o espírito empreendedor da mistura.

Como eu aprendi as coisas com o punk, qualquer coisa que seja original e sem know-how é apreciada com muito gosto por aqui. Não vou ouvir no carro e nem guardar as letras. Só admirar. Por aqui, assim vai funcionar. 

discos, eu + músicaMarch 5, 2007 9:56 pm

Essa lista era pra ser encerrada com o genial disco "Begin to Hope", de Regina Spektor. Foi a última novidade espetacular que a música me mostrou. 

No entanto, eu cometi o erro de ouvir este disco mais uma vez antes de escrever sobre 2006. E se a Regina Spektor é o que mais me chamou atenção em termos de qualidade de composições, nenhum álbum me divertiu tanto quanto "Inside In/Inside Out", do The Kooks.

O disco é uma coletânea de canções pop de primeira. "Naive" é irresistível. Com um refrão pegajoso, uma levada meio funk, meio rock, uma letra simples costurada por uma base que não dá vontade de tirar dos ouvidos, entraria numa lista de clássicos se a indústria atual fosse um pouco menos ávida em descobrir a maior banda da década. E tem mais: "Sofa Song", "Oh Lala" e "She Moves In Her Own Way", músicas que não devem em nada ao que a música tem como fator primordial: o entretenimento.

Escolheria Regina Spektor ou Arctic Monkeys se eu tivesse dez anos menos. No entanto, com 27 e uma história de acompanhamento musical que já dura 18 anos, a gente já tem a consolidação do que realmente ficou. E às vezes, a gente só quer sorrir um pouco com as novidades ao invés de apontar uma super novidade.

Por isso, fico com The Kooks. Sincero, leve, com balanço e sem grandes novidades. Mas é bom. Bom e principalmente divertido. Afinal, é pra isso que estamos fazendo isso, certo? Diversão. 

discos, eu + música 9:50 pm

O pop feminino norte-americano se divide basicamente em duas vertentes: o que eles chamam de singer/songwriter e as chamadas divas pop. No primeiro grupo, não lembro de nenhum sucesso maior do que (a canadense) Alanis Morisette conseguiu com Jagged Little Pill (1995). Gosto bastante de várias cantoras norte-americanas. No anos 1990, particularmente, Tori Amos, Liz Phair, Sheryl Crow e Fiona Apple lançaram bons discos. Ainda há as musas indie (Cat Power), as pianistas (Norah Jones) e por aí vai.

No caso das divas pop, nada supera, superou ou vai superar Madonna. Ela é como Pelé e Beatles: vai ser a maior de todos os tempos sempre.

A Madonna tem uma coisa que ninguém consegue. Ela já foi ninfeta, vagabunda, anti-cristo, sadomasoquista, atriz boa, atriz ruim, foi clubber, foi mãe, foi baladeira, foi romântica, foi certinha, foi bissexual, atacou de Evita, abraçou causas, deu selinho na Britney e não teve a imagem arranhada em absolutamente nada. Nunca alguém ousou chamar Madonna de oportunista. Ela foi multifacetada ao longo de quase 25 anos de carreira sendo autêntica o tempo todo.

Meus discos preferidos de Madonna são Like a Prayer (1989), que contém a genial faixa título, desde sempre a melhor música dela e um dos maiores clássicos da música pop, Erotica (1992), que tem a melhor balada da Madonna, "Rain", e Ray of Light (1998), um disco que reúne as melhores influências de música eletrônica.

Portanto "Confessions on the Dance Floor" passaria longe dessa escolha. Mas é um álbum com méritos. Mostra uma Madonna sossegada, sem ter que provar mais absolutamente nada, colocando a mão em faixas dançantes deprimeira, como "Hung Up" e "Sorry".

Fora que ela precisa estar nessa lista. Com o tempo, eu aprendi que o pop chamado por vezes descartável é  essencial para uma reciclagem habitual da música. Por causa da Madonna, existem Britney Spears, Christina Aguilera, Nelly Furtado, Jennifer Lopez, Pink e claro, Beyoncé. Esta é a melhor de todas, a única que tem luz própria pra chegar a primeira princesa. Porque a rainha é Madonna e este posto é vitalício.

 

discos, eu + músicaMarch 4, 2007 5:17 am

Em 1994, eu ouvi Dookie sem parar. Um dos discos mais legais da época, principalmente quando se é adolescente. Demorou dez anos para o Green Day lançar sua obra-prima.

Apesar das pinturas e do figurino exagerado, o Green Day acertou em cheio ao fazer este disco. Funciona como uma opera-rock, com as músicas encadeadas entre si, com uma crítica a este vazio cultural norte-americano da era Bush.

Panfletário, American Idiot reúne as duas mais belas canções da banda: "Boulevard of Broken Dreams" (a melhor) e "Wake me Up When September Ends". 

Para uma banda que teve um debut excepcional no início da década, é uma honra poder assistir ao amadurecimento desta banda que eu vi nascer, crescer e chegar ao seu ápice.

Só espero que eles não fiquem só na bandeira e se esqueçam de fazer boas músicas, como em todo o American Idiot. Já lançaram uma com o U2 e esse papo de politicagem ostensiva me enche um pouco. Tudo bem, eles já tem crédito comigo após este belíssimo álbum. Tanto que ganharam o ano de 2004. 

discos, eu + música 5:07 am

O Outkast é uma banda em que os dois integrantes não gravam juntos. Estranho? Prefiro dizer genial.

A melhor banda de rap da atualidade lançou este disco duplo em 2003. Um CD é de Andre 3000, o outro é de Antwan Patton. Dois discos solo de dois rappers, cada um com sua identidade.

Apesar de toda criatividade colocada nesta obra, ele está aqui por um motivo, basicamente. E ele se chama "Hey Ya!". Esta é a melhor música da década. Pertencente a The Love Below, o disco de Andre 3000, é uma pérola pop igualada a poucas coisas feitas na música. Como ainda é recente, esta canção ainda não teve todo o reconhecimento merecido. Mas eu a colocaria, por exemplo, no mesmo nível de "Billy Jean", do Michael Jackson, "Kiss", do Prince ou "I Feel Good", do James Brown, para citar alguns exemplos.

Divertida, enlouquecida, com uma letra absurda, a faixa mais dançante dos novos tempos é tudo o que o pop precisa para seguir vivo por muito tempo. E aposto que a década termina com "Hey Ya!" ainda mantendo o topo como a grande música dos primeiros dez anos do novo século. 

Ou vai dizer que tu consegue ficar parado com o "Shake it like a polaroid picture"? 

discos, eu + música 4:56 am

A obra de Johnny Cash se torna com o tempo um daqueles mistérios deliciosos de se decifrar. A complexidade de um artista que teve quase 50 anos de carreira é sempre um ponto de interrogação, a partir dos caminhos desenvolvidos por ele nessa trajetória árdua da música.

No caso deste gênio, essa aventura de descobrir coisas perdura até hoje. Não lembro bem quando eu conheci as músicas de Johnny Cash. Acho que foi na minha primeira fase alt-country, quando conheci Wilco e passei a buscar no passado as origens para aquele som. Os mais conhecidos eram Johnny Cash e Hank Williams.

No entanto, o disco que mais ouvi de Cash é este fabuloso exemplar da série American. Na saga do americano Johnny Cash, ele transcende qualquer patamar imposto pela música mais tradicional do país. Na série de regravações, o véio viajou e emprestou a voz grave, os timbres densos e a melancolia dos arranjos para um time que dá inveja: Depeche Mode, Beatles, Sting, Simon and Garfunkel, Hank Williams e Nine Inch Nails (!!!).

E é justamente "Hurt", do excepcional "The Downard Spiral" do NIN que é a mais bela do disco: uma balada com um dedilhado de violão, costurada pela belíssima voz de Cash. Outro destaque é "Bridge Over Trouble Water", em dueto com Fiona Apple. Irresistível. Ou então a versão de "Desperado", do Eagles. Ouça de joelhos e chore na seqüência.

Este é American IV. Um disco de versões feitas pelo maior trovador da América. E foi gravado no meio de 2002, mandando beleza no meio do barulho que começava a encher os ouvidos no início da década. 

discos, eu + músicaMarch 2, 2007 6:07 am

O primeiro disco do Strokes não significou absolutamente nada pra mim. É um disco bom, com certas tiradas  interessantes, boas músicas e uma certa dose de criatividade. Mas ele não mudou em nada a minha vida musical. Eu não o rejeitei, mas também não o acolhi como a grande novidade musical da década. Eu gostei, comprei e ouço de vez em quando.

Mas entender este disco é mais ou menos como ensinar o povo jovem a sacar um pouco do rock. Talvez ele seja pra geração nascida entre 85 e 90 o que o Nevermind foi pra mim. A mola propulsora de um estilo de rock que não é dos mais chegados pra mim. Esse rock atual, de Kaiser Chiefs, Killers, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, não entra na minha parada. Mas eu respeito profundamente e mais ainda quem originou tudo isso.

Não, não foram os Stooges, apesar de eu saber que Iggy Pop fazia isso séculos atrás. Foram os Strokes. O visual retrô, os timbres setentistas, a bateria reta, o vocal sufocado, a produção bem feita pra deixar uma roupagem mal feita, tudo é parte do negócio esperto que os Strokes colocaram neste álbum honesto de 2001.

Então, se tem gente pulando na noite sem seguir a melodia, cantando alto refrões como "Everyday I Love You Less and Less", achando genial coisas como Bloc Party, esta evolução teve como ponto de partida os Strokes. E eu respeito os pioneiros.  

discos, eu + música 6:02 am

Os anos 2000 começaram estranhos pra música. O new metal tomava de assalto a parada, colocando uma pulga atrás da orelha de quem achava um pouco oportunista a postura de bandas como Limp Bizkit, Linkin Park e Korn (entre eles, eu). Já as boy bands comandavam o tuto. E as menininhas Britney, J-Lo e Christina estavam em alta. Como eu não tinha mais 13 anos e tenho uma cópia do Vulgar Display of Power do Pantera, qualquer uma destas opções deveriam ser rejeitadas.

No entanto, meus olhos se abriram para um branquelo que cantava rap com uma segurança invejável. E tinha tudo o que os gangstas pediam: era desbocado, falava em mulher e cagava e andava para o que pensassem sobre sua música. Eminem lançou seu segundo disco e entrou para a galeria dos grandes gênios da música atual.

Claro que muitos o consideram um picareta, um imbecil. Eu acho particularmente um gênio. O rap precisa disso mesmo. Gente que não tenha o menor pudor em fazer merda. O Eminem chineleia Christina Aguillera, Fred Durnst, a MTV, os colegas. E com melodias impagáveis.

De quebra, realizou Stan. Lembra quando eu falei em opera rock? A música séria de "MM LP" é Stan, uma tragédia de seis minutos com a base de "Thank You", da Dido, alfinetando fãs e colocando com sinceridade que tudo o que ele faz é tirar onda.

Duvida que ele é gênio? Alguém que bate e pede desculpas no mesmo disco, alguém que fala tudo que quer e depois admite que é só pra zoar com os outros só pode ser isso mesmo.  

discos, eu + música 5:55 am

Quando a gente é jovem e precisa construir uma identidade musical, existe uma coisa que a gente faz que é negar coisas que a gente de fato gosta, mas que não são hype, cool, etc. Parei com isso faz algum tempo, ainda bem. Hoje eu sei o que é bom e o que é ruim, o que é original, o que é bem feito bem arranjado, com boas letras, construções interessantes, o que não é farsa ou engodo.

Nunca admiti em 1999 que eu gostava deste disco do Silverchair. Mas eu ouvia ele sempre. Já devidamente municiado do falecido Napster, Neon Ballroom foi baixado na época por mim. E eu ouvia ali, de canto, sabendo as músicas, mas quieto. Não poderia dizer que era bom. Eu nem era tão fã de Silverchair assim para gostar tanto do disco (os anteriores da banda eu achei ruins). Mas Neon Ballroom tinha alguma coisa diferente que me intrigava.

Em 2001, eu passei a respeitar a banda. Um dos melhores shows do Rock In Rio 3 foi do Silverchair. Ao vivo, sem a frescura, a banda, com simplicidade, segurou o tempo todo na raça e na competência, fazendo uma apresentação bem tocada, emotiva e violenta ao mesmo tempo. Foi quando eu voltei para ouvir as canções de Neon Ballroom e perceber que aquilo que eu poderia achar pretensioso na verdade era bom demais.

"Anthem for the year 2000" é a abertura correta da única banda que se atreveu mandar um recado a todos que um novo século estava começando. E as baladas? Nossa senhora, "Ana’s Song (Open Fire", uma dramática canção sobre anorexia, o que dizer disso? E então, pegue "Miss You Love", cantada a todo pulmão e sinceridade. Não há como evitar e você já tem o disco dominado, devidamente esmiuçado e com o coração atingido.

Tudo isso muito bem tocado, com riffs originais, uma voz de Daniel Jones que tirou todos os cacoetes de imitão do Eddie Vedder, um instrumental maravilhoso e uma cozinha que não compromete. E ótimas letras.

Então, vai o recado: se você é adolescente, como eu era em 99, não tenha vergonha de dizer do que você gosta. Se tiver, é parte da idade. Só não se desfaça de seus discos, porque um dia, tempos depois, eles vão relembrar de um tempo bom para sua vida e você vai admirá-los cada vez mais. De bonitinhos australianos metidos a traumatizados, o Silverchair virou pra mim hoje uma banda de respeito, por causa de Neon Ballroom. Se eles não se seguraram, se não lançaram nada que preste depois (ou antes), aí é outra história. Eles já tinham um disco maravilhoso pra valer uma posição nesta lista.