Cowboy in the Sand

listas, faixasDecember 28, 2007 4:12 am

Internacionais

1 - Rihanna feat. Jay- Z - Umbrella 

Foi o ano de Umbrella. Qualquer inovação que a música teve não chegou perto da originalidade do refrão e da batida pop dessa música. Gruda como chiclé e não sai tão cedo. Ou não sai nunca.

2- Amy Winehouse - Rehab 

O primeiro disco da Amy é melhor, mas o refrão de Rehab é tão forte que os fãs tarja preta se adonaram pra ser autobiográfico. Pra ela, pelo menos, é.

3- Arctic Monkeys - Fluorescent Adolescent 

O hino adolescente roqueiro da década na minha opinião.

4- Arcade Fire - Intervention 

Eles fizeram o melhor disco do ano. E a canção mais bonita do ano.

5- Mika - Grace Kelly 

É uma viadagem. Mas a música é fabulosa.

6- The Killers - Bones 

Passou longe de Mr.Brightside. Mas é a segunda melhor música dos Killers.

7- Modest Mouse - Missed the Boat 

Melhor música do segundo melhor álbum do ano, o disco do Modest Mouse.

8- White Stripes - Icky Thump 

O riff do ano.

9- The Fratellis - Chelsea Dagger 

Rock novo bem feito? Raro, mas nem tanto. Os Fratellis souberam direitinho como fazer.

10- Feist - 1234 

A cantora tem a manha da coisa e ainda criou uma música pop de primeira.

11- Justin Timberlake - What Goes Around, Comes Around…

Gênio. O gênio da década emulou tudo o que o Michael Jackson fez de bom e só solta maravilhas em cada disco ou colaboração.

12- Brandi Carlile - The Story 

Uma música tão boa e que não estourou. Talvez um gosto particular aqui.

13- Black Francis - Threshold Apprehension

O gordo mais foda da música mundial voltou com essa porradinha, mandando ver no que ele melhor sabe fazer: rock!

14- Band of Horses - Is There a Ghost 

Minha banda do momento. E a melhor faixa do álbum lançado por eles em 2007.

15- LCD Soundsystem - North American Scum

Uma porrada elektro-rock que não se via desde "Breathe", do Prodigy.

16- Ryan Adams - Halloweenhead 

Um dos prediletos da casa voltou por cima em 2007, lançando baita disco e cantando muito.

17- Bruce Springsteen - Long Walk Home 

Bruce Springsteen lançou disco em 2007. Não interessa mais nada. Está entre os melhores. Ponto.

18- Kaiser Chiefs - Ruby 

A bandinha querida entre 9 de 10 indies porto alegrenses virou pop. E não é que ficou legal!

19- Peter Bjorn and John - Young Folks

Um assobio chatinho que depois se torna agradável. E um climinha bom. Eu tentei resistir, mas depois cedi. Young Folks manda muito.

20- Radiohead - Weird Fishes / Arpeggi

Thom Yorke tem muito o dom da melodia. E parece que canta cada vez mais.

21- Interpol - Heinrich Maneuver 

O primeiro single do novo disco do Interpol é fantástico. Não chega a ser Slow Hands, mas está entre os melhores do ano.

22- Snow Patrol - Open Your Eyes 

Um resquício de britpop. Mas agressivo. E pop. E que todo mundo cantou e dançou. Uma das músicas da temporada.

23- Foo Fighters - Long Road to Ruin 

A maior banda de rock puro da atualidade.

24- Lily Allen - LDN 

2006 foi o ano de Smile. 2007 foi o ano de LDN. A música alegre da Lily Allen toca qualquer um.

25- Sick Puppies - All The Same 

Emo australiano? Ou pop bem feito? Fique com a sua versão, mas o refrão dessa música é empolgante demais.

26- The Shins - Phantom Limb 

Outra queridinha da casa. Banda foda pra caralho.

27- Plain White T’s - Hey There Delilah 

Essa música é tão chatinha que ficou boa. Vai entender.

28 - Rilo Kiley - Portions for Foxes

Banda feminina da maior competência. Avril Lavigne pra adultos. 

29- Fergie - Big Girls Don’t Cry 

Ah, a música do Big Brother. Baita balada da mina, fala sério.

30- Colbie Caillat - Bubbly 

Volta e meia tem umas músicas meio infantis que a gente gosta. E essa Bubbly é tão fofinha que não dá pra ter raiva.

31- The Fray - Over My Head (Cable Car

Uma típica bandinha americana que lançou uma música legal.

32- Bright Eyes - Four Windows 

Uma das boas novidades do ano que eu aprendi a gostar.

33- Kate Nash - Foundations 

Tem que comer muito feijão pra ser a nova Lily Allen, mas pra início de conversa, já tá boa essa música.

34- Queens of the Stone Age - Make it wit chu 

Já gostei mais da banda, mas essa música realmente é sensacional.

35- Britney Spears - Gimme More 

Ela começa assim: "It’s Britney, BITCH". Deu.

36- Wilco - Impossible Germany 

Qualquer disco do Wilco é excelente. Confesso que nesse novo trabalho, não consegui destacar uma música específica. Fico com essa.

37- Kanye West - Stronger 

Suíngue maroto, refrão agressivo, coisas que o pop faz tão bem.

38- Timbaland - Apologize 

Esse é outro gênio. Tá criando uma centena de artistas novos de rap e pop americanos.

39- Spoon - You Got yr Cherry Bomb 

Mais uma excelente banda texana, mora nas prediletas da casa.

40- Linkin Park - What I’ve done 

Eu sempre achei o Linkin Park boa banda. E eu gosto bastante dessa música.

41- Rooney - When did your heart go missing 

O Rooney é uma banda desconhecida e que pode daqui a um tempo ser esquecida. Mas a música é bem boa.

42- Fall Out Boy - This ain’t a scene, it’s an arms race

Eu defendo o emo. É sério. Diz aí que essa música é ruim, se tiver coragem.

43- Nine Inch Nails - Capital G

Conheço, gosto e idolatro Trent Reznor desde 1993. Só ouvi o single de Year Zero, mas é o bom e velho NIN na atividade.

44- Akon - Don’t Matter 

Mais uma daquelas que tocou, tocou e vai fazer com que a gente se lembre de 2007.

45- Chris Brown - Say Goodbye 

É difícil eu gostar de algum R&B mela cueca típico americano. Como eu gosto dessa música, entra na lista.

46- Vanessa Hudgnes - Say OK

Mais uma menina saída de algum programa de reality show americano. Mas uma musiquinha honesta, vá lá.

47- Miranda Lambert - Famous in a Small Town

Eu sou o único ser humano brasileiro do sul que gosta de country americano. E essa música tem que estar na lista.

48- Jay-Z - Roc Boys 

Esse é outro que cria os outros e se cria. Mestre.

49- Duran Duran feat. Justin Timberlake and Timbaland - "Falling Down"

Os dois são tão fortes que ressuscitaram o Duran Duran.

50 - 30 Seconds to Mars - The Kill 

Emo. Emo dos nojentos. Mas eu não consigo desgrudar dessa maldita música. Deve ser os meus 10% emo que tem no meu sangue. O vocalista é o Jared Leto, que um dia foi ator e aos 36 anos virou EMO.

faixasAugust 1, 2007 6:09 am

Considero Zé Ramalho um dos grandes gênios da MPB. Seu início de carreira, principalmente nos dois primeiros discos, apontavam para uma das vertentes mais lindas do nosso cancioneiro. A música urbana nordestina. Quase um folk country com sotaque paraíba que invadiu os centros do país no final dos anos 70.

O ápice do cantor foi com esta música. "Chão de Giz" está na minha opinião entre as 20 músicas mais lindas que eu já ouvi. Estava assistindo a alguns vídeos nesta madrugada quando eu simplesmente precisei ouvir esta obra-prima. Uma melodia linda, com uma levada de violões, pontuada com a voz grave de Ramalho.  Uma poesia musicada de uma sutileza impressionante, uma declaração de amor terrível, dolorosa e profundamente triste.

"Chão de Giz" é uma das top 10 barzinho-voz-e-violão de barzinhos espalhados por este país. E mesmo quando interpretada por um qualquer, ela fica linda. É o tipo de música onde eu não consigo ver sendo avacalhada. Talvez pela letra, uma das que mais me toca de todas que eu conheço.

"Desço dessa solidão/ Espalho coisa sobre um chão de giz (…) Eu vou te jogar num pano de guardar confetes (…) Há tantas violetas velhas sem um colibri (…) Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro / Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom (…) Agora pego o caminhão, na lona vou à nocaute outra vez / Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar / Meus 20 anos de boy, that’s over baby / Freud explica  (…) Quanto ao pano dos confetes / Já passou meu carnaval / Isso explica porque o sexo é assunto popular / E no mais estou indo embora, baby"

Uma colagem de recordações infinitas e de frustrações que ficam com o tempo e assim se sucede uma canção chorosa, esplêndida, alta, grandiosa e que emociona qualquer um. Poesia pura, profunda, lírica e romântica. Na melodia mais linda que Zé Ramalho já colocou nos nossos ouvidos.

Obrigatória pra qualquer um.  

bandas, faixasJuly 7, 2007 7:08 am

Como eu fiz há algum tempo com a música P da Vida, do Dominó,  vou postar uma letra inacreditável composta na história da nossa música. O autor? O gênio. O visionário. O louco. Fausto Fawcett (provavelmente se junta a Belchior, Humberto Gessinger, Guilherme Arantes e Odair José como os cinco maiores gênios incompreendidos da música brasileira) é o mentor desta pérola. Cantada pelas Sublimes, no primeiro disco da banda de Isabel Fillardis, álbum que contém a MÁGICA "Boneca de Fogo", de longe a faixa mais instigante composta pelo pop nacional na melhor década do mundo (1990). Vamos à letra COMENTADA:

 TYSON FREE

Free! Free! Mike Tyson Free!
Uppercut! (golpe)
Free! Free! Mike Tyson Free!
Knock Down! (caiu na lona)
Free! Free! Mike Tyson Free!
Jab! Jab! (leva pras cordas)
Free! Free! Mike Tyson Free!
Knock Out! (foi pro chão de vez!)

O poeta do boxe animal foi seduzido/foi
Foi iludido/foi
Sacaneado/foi

(O POETA DO BOXE ANIMAL caiu na armadilha. Foi SACANEADO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ILUDIDO!!!!!!!!! E aí, a euforia chega ao grau máximo, já nos primeiro segundos) 

Por uma mulataça venenosa
Do sexo amor interesseiro
Por uma mulataça venenosa
Do sexo amor interesseiro

(Uma mulataça venenosa que só queria SEXO INTERESSEIRO COM NOSSO POETA MIKE TYSON!!!!! INJUSTIÇA)

O sofrido boxer vingativo da vida
Sacaneado/foi
Foi iludido/foi
Foi engolido/foi

Comeu a maçã da Eva negativa e foi expulso (????????????? A EVA NEGATIVA??????????)
Do paraíso do dinheiro
Do paraíso da fama
Do paraíso da grana
Do paraíso do luxo
Do paraíso do sexo
Do paraíso do sexo

(O PARAÍSO DO LUXO, DO SEXO. ELE FOI VÍTIMA DO SEXO, TYSON, FREEE!)

Por uma gostosona sofrida
Vingativa da vida
Ancestral mulata
De estirpe messalina
Comeu, comeu e prendeu
O poeta do boxe Xangô!

(Aí, toda a POESIA de Fausto Fawcett está escancarada. DE ESTIRPE MESSALINA é pra fechar a indústria fonográfica MUNDIAL e repensar tudo o que fizeram sobre música até agora)

O poeta do boxe troglô foi seduzido
Por uma fulaninha poeta
Do sentimento mulherzinha
Irresistível vamp
Irresistível vamp com
Sangue de conhaque lua preta no olhar
Sangue de conhaque lua preta no olhar
Da fulaninha poeta
Do sentimento mulherzinha
Sacaneado, seduzido, iludido
Sacaneado, seduzido, iludido
Sacaneado, seduzido, iludido
Sacaneado, seduzido, iludido
O poeta do boxe troglô
O poeta do boxe animal

(É quando a música já nos arrebata de vez, nos deixando a pergunta de como que essa banda não foi a DESTINYS CHILD brasileira, com sucesso merecido)

Preparando o quê na cadeia?
Sonhando o quê na cadeia?
O poeta do boxe animal
Agora tá batendo na cadeia!
(Como o sexo acabou com ele, ele tá se ACABANDO NA CADEIA, o POETA DO BOXE ANIMAL!)

Free! Free! Mike Tyson Free!
Agora tá batendo na cadeia
Free! Free! Mike Tyson Free!
Agora tá sonhando o quê na cadeia?
Free! Free! Mike Tyson Free!
Quando sair o que vai ter?
Free! Free! Mike Tyson Free!
O que ele tá pensando na cadeia?

(E segue o disparate…)

Free! Free! Mike Tyson Free!
Knock Down!
Free! Free! Mike Tyson Free!
Jab! Jab!
Free! Free! Mike Tyson Free!
Knock Out!
Free! Free! Mike Tyson Free!
Free! Free! Mike Tyson Free!
Free! Free! Mike Tyson Free!

(LIBERDADE PARA TYSON. JAB JAB. KNOCK OUT.)

E quem sai nocauteado é quem escuta a maior pérola dos últimos tempos. Alguém completamente ciente de suas capacidades mentais não conseguiria isso. Um grito de liberdade para Mike Tyson que pede aquele UH TERERÊ na seqüência. Genial, genial. Obra brasileira, obra carioca, obra de quem simplesmente decidiu FODER qualquer estrutura rítmica, musical, de letras, qualquer porra feita na música.

É por isso que eu ainda idolatro esse filho da puta. Amém. Amém. Só me ajoelho, é só o que resta. Knock Out!!!!

 

faixasJuly 3, 2007 2:18 am

Eu queria escrever sobre essa música há algum tempo, mas só agora eu consegui parar para colocar algumas linhas a respeito da única música que eu conheço da cantora desconhecida (pra meu bem, tomara que continue assim) Rosana Arbelo.

Mesmo eu não tendo a menor idéia sobre a carreira de Rosana, "A Fuego Lento" é impossível não conhecer. Parece que ela foi uma febre muito maior aqui em Porto Alegre do que em outras partes do país, não sei bem. E mais: nunca foi um grande sucesso radiofônico. Mesmo assim, nas pistas de boyzinhos e patricinhas de Porto Alegre, ela toca sempre.

Claro que como pós adolescente recente vivendo na capital gaúcha, não escapei a este fenômeno. E aqui escrevo sobre "A Fuego Lento" com a intimidade que essa música me deu nos últimos dez anos. 

Pra começar, "A Fuego Lento" é uma baita música. Claro que eu espero alguns comentários de gente dizendo que eu tô exagerando, mas sinceramente não ligo muito pra isso. Quem não gosta, é porque simplesmente não tem uma parte do corpo chamada cintura. Assim é essa música. Toca e logo atinge alguma parte do cérebro que ativa em doses gritantes o sentido de dançar. E dançar muito, até que ela acabe.

"A Fuego Lento" é uma levada latina constante, sem mudança de andamento, sem solo, apenas duas ou três respiradas e tacando o "fuego" até o final, com uma voz tipicamente latina e uma viola que anda na mesma direção o tempo todo. Uma fórmula fácil, uma música fácil, mas estranhamente enlouquecedora numa festa.

Portanto, "A Fuego Lento" é na minha opinião a música mais dançante de todos os tempos. É uma relação íntima e particular, assim como todas as opiniões desse blog. É ruim? Nada. É boa pra cacete, um convite de três minutos e pouco para tu esquecer da vida e for dançar. Se tu acha que isso queima teu filme, faça-me o favor de ter uma aula de como se divertir, valeu? 

bandas, faixas, vídeosApril 29, 2007 7:11 am

Para quem gosta de ver videoclipes e se cansou dos reality shows estúpidos da MTV Brasil, ainda bem que ainda há canais que se voltam para o formato com exclusividade. O Multishow, apenas em alguns horários, e quase sempre o MTV Hits e o VH1 (pra quem tem cabo, claro). O youtube é o sonho, mas certamente ali o que acontece é uma escolha mais direcionada. Sempre gostei do hábito de deixar a TV ligada e ver os clipes aleatoriamente. As melhores surpresas acontecem assim.

Na madrugada de sábado para domingo, eu vi um dos clipes mais bonitos dos últimos tempos. "Eu vou tentar", primeiro single de "Invisível DJ", novo disco do Ira!, é maravilhoso. Dirigido por Selton Mello, mostra uma história de amor daquelas aparentemente batidas. Um rompimento, as lembranças dos bons tempos, a tentativa de esquecer em vão e o reencontro final, com a superação de todas as diferenças e o final feliz. Banal, porém extremamente bem conduzido pelo ator, que dirige o clipe. Uma direção perfeita e duas atuações belissimas dos atores que fazem o vídeo.

É emocionante quando eles se encontram novamente e ela abre um sorriso absolutamente sincero, correspondido à altura por ele. Aliás, a sincronia com a música é perfeita. Eu acredito em histórias de amor. Como nessas aí, com a sinceridade que só um sorriso consegue demonstrar. O sorriso mais sincero do mundo, de novamente avistar a pessoa amada após um momento em que se pensou que a separação fosse eterna.

A música é muito boa. Gosto do Ira!. Acho uma banda que conseguiu se reinventar, principalmente após o excelente disco de covers "Isso é Amor" (1999). O Acústico é muito bom também. Além disso, conta com um vocalista muito gente boa, Nasi, e um guitarrista que dispensa apresentações em técnica e criação, Edgar Scandurra. Grande retorno dos paulistas. "Eu vou tentar" é uma grande canção, talvez valorizada por mim porque vi este clipe tão bem dirigido e editado. Mas vale dar uma ouvida. 

 

faixasApril 23, 2007 3:23 am

Eu não gosto de música eletrônica. Não gosto de dançar música eletrônica. Não gosto de rave. Não gosto da aparelhagem eletrônica voltada para a transmissão de batidas. Não gosto de DJs. Não entendo nada sobre DJs. Não sei as razões do Fatboy Slim ser melhor do que algum outro DJ de Israel que chega aqui com fama internacional. Não sei o que é psytrance. Não sei o que é house, trance. Tenho noção do que é o drum n’bass. O Fatboy Slim até é legal porque ele fez Rockafella Skank e Weapon of Choice, que, ok, tem o clipe mais foda de todos os tempos. E fez Praise You. Mas não entendo de batidas.

Inacreditavelmente, eu conheço muito mais o tradicionalismo gaúcho do que as vertentes dançantes da música. Mesmo sem nunca ter pisado num CTG e já tendo ido a algumas raves. Nunca tomei bala, talvez seja por isso. Tudo bem, eu estou exagerando só para situar a respeito do meu conhecimento a respeito dos ritmos eletrônicos, que é reduzido. E eu até gostava de alguma coisa do Prodigy, se bem que eles utilizam os artefatos eletrônicos sendo quase um punk moderno techno, ao menos no primeiro disco. E acho o tecnobrega muito mais legal pelo conceito absolutamente revolucionário da questão.

Com todos esses predicados contra a música eletrônica, existe uma, somente uma, que me deixa absolutamente boquiaberto. "Born Slippy", do Underworld, entrou na trilha de Trainspoitting. E é a maior música eletrônica de todos os tempos no meu conceito. É uma batida de nove minutos com um vocal soterrado e repetido que tira do sério qualquer ser humano mais centrado em seus objetivos. "Born Slippy" parece ter sido feita pelo demônio. Composta, criada, concebida e escrita pelo diabo nos piores dias, querendo recrutar simpatizantes para a causa mais nobre na opinião dele. É um caso de estudo, como se fosse uma tortura constante o "Drive boy, dog boy/ Dirty numb angel boy" e vai se repetindo numa harmonia fantástica com uma batida que pulsa até a veia mais discreta do corpo humano.

Exagerei? Ouça esta música então. Se aqui no meu quarto as pernas não param de se mexer, imagina com alguma coisa na cabeça, com uma luz própria e com mais gente ao redor. Três execuções na seqüência te levam ao manicômio. Ou seja, quem fez isso tem muito talento.

Talvez o meu gosto por Born Slippy seja bem maior por essa transgressão auditiva que ela traz pra mim. Como Anarchy In The UK, do Sex Pistols, talvez. Aquelas coisas que lampejos de delírio cometem, em alguma circunstância improvável. Uma música eletrônica que te não te chama pra dançar. Te chama quase pra fazer um pogo, lembrando quase um metal de batucada, um interminável golpe de batidas, intimando para que alguma coisa seja feita. Porque ficar parado não dá. E talvez por isso eu ache esta música tão perfeita. Porque ela é eletrônica com um sentimento humano que eu nunca vi dentro das pickups. E principalmente porque ela é mais rock do que qualquer coisa que se entitule rock nos dias de hoje.  

faixasMarch 20, 2007 4:33 am

 Dominó - P da Vida (1988)

Esta PRECIOSIDADE foi composta por um cara chamado Edgar Poças (??).

P da vida surgiu da seguinte forma: o Grupo Dominó, a primeira criação de Gugu Liberato já vinha de sucessos nos anos 80. Mas algum gênio quis tornar a imagem dos quatro rapazes mais "politizada". Afinal, o Brasil atingia uma recessão e uma inflação inimagináveis. Que os bons moços passassem o recado para o país (quiçá mundo).

O resultado? Bom, eu ri. Estou comentando esta letra. 

Tô pê da vida >>Um grito de raiva que diz: "O DOMINÓ TAMBÉM TÁ PUTO DA CARA"

Olhando a gente tão pra baixo
Num baixo astral, num cambalacho >> Primeiro trocadilho esperto do compositor. Caetano adoraria.
E muito pouco amor à vida

Tô pê da vida
E o mundo em volta da ferida
Em transes loucos, transas nossas >> Esse aqui é genial. TRANSES LOUCOS, TRANSAS NOSSAS. O que eles querem dizer com isso? Acho que nem eles sabiam.
De mãos atadas vistas grossas
É muito pouco amor à vida

Tô pê da vida
Tão pondo fogo no planeta
E quem não tá vira careta
>> Depois dos anos de loucura, que venha o bom mocismo.
A fina flor do preconceito
De cor, de raça, de sujeito
>> Fim do apartheid.
Isso tem jeito (2X)

We are the world lá nas paradas >>> !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ISSO É INCRÍVEL. ELES BOTARAM ISSO NA MÚSICA. NÃO CONSIGO PENSAR EM NADA A NÃO SER EM RIR ETERNAMENTE.

E gerações desperdiçadas
Em tantas lutas sem sentido
Fecha as cortinas do passado
Mundo grilado, dolorido >> Grilado, gíria da época.
Que se conforma

Tô pê da vida
Doces jogadas ensaiadas
Nas mesas das nações unidas >>> Outra parte hilária. A ONU foi vítima da ácida crítica social do Dominó. Mesmo que eles tocassem apenas em baile de debutante e naquelas caravanas da agência PROMOARTE por Carapicuíba e Sorocaba.
Azucrinando nossas vidas
Jogos de dados combinados
Dados marcados >> E eles estão fora do sistema.

Tô pê da vida
Mas não me sinto derrotado
Não tem gatilho, nem cruzado >> Agora a vítima é José Sarney, o presidente da época.
Que vai me por nocauteado
A esperança é uma música
Canta essa música, nossa música, é nossa música… >> Quem não tá satisfeito que levantasse a mão

Tô pê da vida
Mas isso quase não é nada
Tem que enfrentar essa parada
E tem que por a mão na terra
Eu tô na guerra pela vida
Só pela vida
Viva a vida (2X) >> Viva a vida!!!!

Eu tenho a música, se quiserem. De tão ruim, tão ruim, mas tão ruim, hoje eu só consigo achar isso genial. Nenhum ser humano estúpido conseguiria ter a coragem de escrever estes versos de rima trocada, trocadilhos espertos, linguagem atual, alusão a palavrão e crítica social pretensiosa. E mais: não é um estúpido o cara que dá essa música para uma banda de garotinhos idolatrados por suburbanas paulistas e auditórios do SBT nos anos 80 produzida pelo almofadinha do Gugu Liberato.

Não, não é estúpido esse cara. Quem fez a música e quem deu ao Dominó só pode ser brilhante. Eu não conseguiria tamanha façanha. Acho que nem os maiores poetas botariam isso aí na roda. Pago pra ver.

faixasMarch 15, 2007 4:27 pm

The Raconteurs - Steady, as She Goes

Quando eu fiz a lista das melhores músicas de 2006,  coloquei "Steady As She Goes" em terceiro lugar, atrás da belíssima "Samson", de Regina Spektor e de "Naive", do The Kooks, esta muito mais por gosto pessoal do que qualquer outra coisa.

No entanto, Steady… é daquelas músicas inacreditáveis de tão boas. Isso é rock, por mais que esta frase seja batida e patética. Quatro notas, entrada com um baixo compassado, uma guitarra que sabe pesar na hora certa e uma letra pop. Uma música fácil de ser feita e que gruda como chiclete, pela melodia espirituosa e bom arranjo.

Aliás, o disco todo do Raconteurs é bom demais. Jack White, o cabeça do White Stripes, foi o cara que idealizou este projeto, que nada mais faz do que evidenciar suas qualidades como compositor.

A pena é que as rádios pop tocaram pouco esta música. Deveriam, seria hit em qualquer lugar. Por exemplo, é tão boa quando "Last Nite", dos Strokes, este o grande sucesso roqueiro da década. Ainda inferior a "Fell In Love With a Girl", pra mim a melhor música dos White Stripes, mas não dá pra negar: ao contrário de várias "ondas" do momento, Steady as she goes veio pra ficar.  

 

faixas 6:14 am

Cascavelletes - Sob um Céu de Blues (1990)

Sou um crítico violento do rock gaúcho. Acho que o fato dele ser objeto de culto no resto do país só ofusca uma geração talentosa que poderia ter vencido além Mampituba. Atualmente, bandas como a Cachorro Grande conseguem fazer algum sucesso fora daqui e isso é bom. Claro, não tem a mesma magia da época em que TNT, Cascavelletes, Replicantes, De Falla e outras tocavam aqui lotando ginásios e passavam batidas no restante do Brasil.

De todas as bandas oitentistas gaúchas, as duas melhores são Engenheiros do Hawaii e Cascavelletes. Os EngHaw não são nem perto de objeto de culto (conforme eu escrevo no capítulo acima). No entanto, os Cascavelletes são amados pelo povo udigrudi paulistano (principalmente). Sempre quando encontram um gaúcho, evidenciam este fanatismo e fazem questão de salientar a idolatria pelos (na época) rapazes.

A banda durou pouco tempo. O primeiro EP tinha as clássicas Menstruada, Morte por Tesão e O Dotadão deve morrer. Depois, o disco Rock A’Ula, uma pérola estudantil com faixas espetaculares, como Nega Bombom (trilha de Top Model), Moto, Sorte no Jogo Azar no Amor, Gato Preto, Eu Não quero Estudar e Jessica Rose. Uma obra prima, com certeza figura entre os maiores álbuns de rock do RS [em breve, esta lista. quero fazer dos 50 mais, exige pesquisa].

Em 1990, sem Frank Jorge no baixo, já na Graforréia, e substituído por  Luciano Albo, veio a consagração. Nada mais nada menos do que a balada mais perfeita já concebida em território pampeano. "Sob Um Céu de Blues" é uma obra prima.

Com a base de violão, tomada de acordes fáceis, a voz de Flávio Basso narra a trajetória de um cara abandonado e entra com frases como "Eu vou rolar com os bêbados/Pelas ruas imundas" ou "A fumaça cinza das fábricas/ Me dá um peso na alma" ou ainda "É como se eu estivesse carregando/ Cem toneladas de desilusão". Uma pérola pop amorosa, que beira o brega, mas não chega a isso graças à melodia pop empregada na canção.

"Sob Um Céu de Blues" chega a se tornar uma sátira volta e meia. Mas pegue pelo outro lado. Uma canção de amor raivosa, de decepção, decadência e falta de dignidade. Uma música feita pra chorar no canto, se debruçando com uma garrafa de cachaça no meio da Osvaldo Aranha, sem vergonha de admitir que os podres também amam. Cantam e se emocionam. E a trilha perfeita escolhida pra isso foi composta por Flávio Basso e Nei Van Sória. Se chama "Sob um Céu de Blues".

Graças à cretinice da banda, ela parou em rodinhas de violão. Uma pena que elas só funcionem aqui no RS e no litoral catarinense na alta temporada. Do jeito que tá, pode virar hit em algum pub de Londres, mas aposto que jamais tocaria no Raul Gil ou na MTV, que é o lugar merecido dela. Ao menos em 1990.

faixasFebruary 21, 2007 2:51 am

Nosso Sonho - Claudinho e Buchecha

Que o funk carioca é um ritmo que é bem mais do que um verão, isso ninguém mais duvida. Afinal, já embala há quase vinte anos o povo nas favelas e há mais de uma década já tomou de assalto as outras praças fora do Rio de Janeiro. Autêntico, brasileiro e vindo das camadas de exclusão social, ainda sofre algum preconceito por parte dos mais puritanos ou de quem é metido a intelectualóide barato. Quem não entende de música, pode criticar. Eu faço reverência a este estilo absolutamente único, original, criativo e sensacional.

Escolher a melhor música de funk carioca de todos os tempos é complicadíssimo. Se formos para um lado mais sofisticado da situação, ficaria entre "Kátia Flávia" (Fausto Fawcett e Robôs Efêmeros, 1987), "Rio 40 Graus (Fernanda Abreu, 1992) ou algum remix de "Eu e Memê, Memê e Eu" (Lulu Santos, 1995). Ou então certamente pegaria, por exemplo, o DJ Marlboro, um gênio das picapes, descobridor de talentos. Por outro lado, se formos resgatar o lado roots do funk carioca, nada supera "Rap da Felicidade", produzido pelo DJ Marlboro em 1994. Aquela, do refrão "Eu só quero é ser feliz/Andar tranqüilamente na favela onde eu nasci…". Ou então, a já clássica "Se ela dança, eu danço".

No entanto, em 1997, a dupla Claudinho e Buchecha enchia um programa chamado Xuxa Park com um CD fundamental para as bases do ritmo. Investindo mais no charm, atropelou as paradas, parando na MTV, em FM de classe média alta, saindo do circuito que o funk pertencia. E nesse álbum, nada supera "Nosso Sonho".

A música é uma obra prima. Acusada de ser pedófila, por causa do amor por uma menina de 12 anos, ela investe na figura da imaginação e presta uma homenagem merecida a todos os bailes do Rio. Ao invés da revolta, fica para quem ouve uma deliciosa sensação de ingenuidade na letra, mesclada com uma alegria festiva que não combina em nada com o que mostravam na época dos bailes. A violência e o domínio do tráfico dá lugar a uma enorme festa, repleta de energia e satisfação.

Nosso Sonho tem um refrão espetacular. Mas o grande momento é quando eles falam dos bailes cariocas. Mapeando o Rio de Janeiro e a Baixada Fluminense, é um recado direto àqueles que vivem numa seriedade chorosa do dia a dia das cidades. Aqui, se faz festa. Se dança, se canta e se diverte. E a gente se apaixona, mesmo que os 12 aninhos permitem apenas um olhar.

Como eles dizem, nosso sonho não vai terminar. Longa vida ao funk carioca e a todo esse sucesso merecido que eles fazem. Como em todo o estilo musical, tem muita coisa ruim sendo feita. Agora, se uma vez por ano tivermos um petardo como "Nosso Sonho", vamos ter alegria garantida para o resto da vida. E se a coisa ficar ruim, coloca essa música e vai pra pista.